A Importância do Entendimento das Relações das Idades Relativas na Lua

As relações de idades relativas são fundamentais para revelar a história geológica da Lua. As idades relativas revelam a ordem dos eventos geológicos sem se conhecer a idade absoluta de cada um deles. Normalmente as idades relativas são determinadas pelas relações estratigráficas das feições geológicas – o que está no topo e o que está na base. A estratigrafia não é simplesmente o estudo das camadas de rochas e dos acamamentos, e isso fornece aos geólogos uma ferramenta para determinar as relações entre as idades localmente e em alguns casos globalmente. Gene Shoemaker e Robert Hackman usou alguns pensamentos ingênuos para descrever os marcadores fundamentais estratigráficos através da história geológica da Lua. Mas você não precisa ser um geólogo lunar para entender o significado das relações estratigráficos. As mais óbvias relações estratigráficas na Lua são os mares cobertos por basalto que cobrem os terras montanhosas mais velhas.

Algumas vezes é necessário um pouco mais de pesquisa para se encontrar as relações estratigráficas claras nas imagens de alta resolução feitas pela câmera NAC da sonda LROC. A imagem acima mostra um exemplo de uma clara relação de idades, onde uma cratera de impacto é cruzada e deformada por uma cadeia de dobramento. A deformação dessa cratera ocorreu na direção norte-sul e isso distorce a cratera de sua forma circular original, transformando-a numa elipse. Seu diâmetro é de aproximadamente 330 metros medidos na direção leste-oeste e na direção norte-sul ela tem 30 metros, somando 300 metros de largura.

Essas observações nos ajudam a construir uma história geológica plausível para essa pequena área. Primeiro, o mar de basalto entrou em erupção e esfriou, então a cratera de impacto se formou. Em algum momento após o impacto, a cadeia de dobramento deformou a cratera. Contudo, muito tempo se passou desde o evento de impacto, pois a cratera não possui raios de ejeção de alta refletância, suas paredes são suaves e existem poucos pedaços de rochas espalhados. Alternativamente muito pouco tempo deve ter passado entre a formação da cratera e a formação da cadeia de dobramento pois a cadeia é suave e também possui poucos pedaços de rochas. Então, enquanto parte da história da idade relativamente pode ser claramente inferida, alguns detalhes são difíceis de serem revelados.

Além disso, podemos nos questionar como que a cratera repleta de pedaços de rochas adjacente à cratera deformada se ajusta nessa história? Existem algumas opções com base na aparência de ambas as crateras, mas a explicação mais fácil é que essas crateras se formaram em tempos geológicos um pouco diferentes embora seus anéis sejam arredondados e suaves e as crateras não tem raios de material ejetado, elas têm diferentes concentrações de rochas expostas. Mas por que essa cratera adjacente tem tantos pedaços de rochas? Os pedaços de rochas são normalmente formados pelo impacto em uma camada de rocha coerente, ou seja, o impacto expõem e fratura o embasamento. Como o regolito nos mares tem provavelmente somente alguns metros de profundidade, essas crateras com aproximadamente 300 metros teriam se aprofundado através do regolito para expor o embasamento. Se duas crateras têm a mesma idade, elas deveria, ter concentrações similares de pedaços de rochas, mas se elas não tem a mesma idade, elas podem ter histórias geológicas diferentes. Se nós assumimos que a cratera deformada é mais velha que a sua vizinha nós esperaríamos que a cratera deformada fosse mais erodida. Se a cratera vizinha, a que possui mais pedaços de rochas é mais jovem, então talvez os pedaços de rochas ao redor dessa cratera não tenham tido tempo suficiente para se distanciarem por meio do continuo bombardeamento de micrometeoritos que afetam a superfície da Lua.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/416-Relative-age-relationships.html

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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