A Importância da Integração de Dados: Conhecendo uma Supernova

Olhando na direção da constelação de Cães de Caça (Canes Venetici) entre 40 e 50 milhões de anos-luz de distância existe um par de galáxias em interação algumas vezes referidas como “O Casulo”. Essas duas bolhas de estrelas sem uma forma bem definida já tiveram sua maior aproximação e atualmente estão se afastando uma da outra. Entre elas existe um rastro de estrelas que se espalha por aproximadamente 24000 anos-luz mostrando uma grande região de estrelas em formação. Mas onde existe a vida, existe a morte também. Vamos então colocar o dedo nessa região e medir o pulso de uma supernova.

As galáxias interativas NGC 4485 e NGC 4490 têm por muito tempo despertado o interesse dos astrônomos ao passo que essa região é um campo de estudo para a análise do meio interestelar quente. Como um bom doutor pesquisando cada ângulo está a sonda Chandra – a qual revela emissões de raios – X difusos dessas galáxias. “A alta resolução angular do Chandra nos permite remover fontes discretas e realizar uma espectroscopia espacial para as regiões de formação de estrelas e para fluxos associados”, disse Alexander Richings. “Isso nos permite observar como as propriedades físicas do meio interestelar quente, como temperatura, densidade da coluna de hidrogênio e abundância de metais varia através dessas galáxias”.

Mas um bom doutor não se contenta com uma só resposta, ele sempre procura mais, neste caso imagens feitas com outras ferramentas como o SCUBA e o MERLIN em hidrogênio alfa. Com isso os pesquisadores detectaram um filamento de Há emergindo do disco da NGC 4490 com uma distância projetada de 3 Kpc, o que tem equivalência tanto no sinal de rádio como no Hi. O HI se estende a uma distância de 30 Kpc da NGC 4490 e argumenta-se que essa é uma evidência de que um grande envelope de HI neste sistema é o responsável pela formação de estrelas. Os pesquisadores usaram dados do SCUBA e de rádio contínuo para tentar definir restrições na distribuição da poeira com respeito as regiões de formação de estrelas. Essa análise é limitada devido a falta de uma estimativa independente da temperatura da poeira, algo que os instrumentos como o SIRFT e o SOFIA irão poder fornecer, contudo enquanto esperam esses novos dados os pesquisadores encontraram evidências de que a maioria  da poeira obscura não está localizada dentro das regiões de HII.

Mas isso é novidade? Não é. Voltando em 2997, os astrônomos já haviam estudado essa região e combinado diferentes informações em diferentes comprimentos de onda. Nessa ocasião eles também encontraram observações feitas nas bandas B e I do par com o objetivo de determinar a idade das regiões de formação de estrelas, incluindo um novo rastro apagado descoberto a leste da NGC 4490. Nessa discussão eles distinguiram esse rastro, da ponte que conecta as duas galáxias do braço gravitacional que tem uma forma espiralada com direção ao exterior das regiões brilhantes da NGC 4485.

Em 4 de Março de 2008 o Swift Ultraviolet/Optical Telescope (UVOT) e o X-Ray Telescope 9XRT) observaram um evento na NGC 4490, mas eles não estavam sozinhos. Astrônomos amadores também observaram o evento. Mas uma observação somente não trazia dados suficientes para uma conclusão, foi quando fotografias entraram em ação. Mas novamente como um bom doutor, o segredo está em integrar as informações , assim combinando imagens antigas da região com os dados recém observados chegaram à mágica conclusão, o que eles puderam ver era a pulsação de uma supernova.

A supernova, batizada de 2008ax na NGC 4490 era um evento. Essa supernova foi descoberta de forma independente  por vários pesquisadores espalhados pelo planeta. No início das observações pensava-se ser uma variável azul, mas o espectro não mente. Assim, o mais rápido possível o evento passou de um tipo II de supernova para um tipo Ib.

Será que esse par de galáxias ainda guarda outras surpresas? A galáxia NGC 4490 é extraordinária pois abriga uma das mais numerosas populações de fonte de raios-X ultra luminosos (ULX) em 10 Mpc, somente batida pela M51 e M82. Neste caso, os pesquisadores examinam a variabilidade espectral e temporal dos raios-X à medida que as observações são feitas pelo Chandra e pelo XMM Newton. Com isso já se detectou 5 fontes antes identificadas nas duas galáxias. Também já foi encontrada uma nova fonte transiente de raios-X no sistema. A variabilidade espectral é normalmente caracterizada por um fortalecimento da fonte no espectro à medida que a sua luminosidade aumenta. As fontes mostram uma variedade de curvas de luz de longa duração, porém as variabilidades temporais de curto período são marcadas pela ausência. Fontes de raios-X ultra luminosos são fontes de raios-X não nuclear situados fora do núcleo das galáxias hospedeiras, que possuem luminosidade nos raios-X que superam os 1039 ergs.s-1. Vários estudos têm sido feitos nessas fontes desde a sua descoberta a 25 anos atrás, mas a verdadeira natureza ainda permanece misteriosa. Espera-se então que o estudo dessas galáxias em conjunto possa trazer uma luz nessa busca aos astrônomos.

Fonte:

http://www.universetoday.com/2010/03/07/taking-the-pulse-of-a-supernova-ngc-4490/

Sérgio Sacani

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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