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A Escolha Não Utilizada

Pensar sobre locais na Lua onde os seres humanos deviam pousar para iniciar uma exploração não é algo novo. No final da década de 1950 no início da era espacial, quando o projeto Mercury ainda nem tinha saído do chão, o exército americano tinha a proposta de estabelecer uma enorme base lunar para ali realizar uma série de atividades científicas, militares e de engenharia. Devido à pobreza dos dados disponíveis sobre a Lua nessa data, uma equipe do exército propôs a execução do chamado Projeto Horizon, que tinha como objetivo sugerir alguns locais na Lua para o pouso de uma nave e para a exploração do satélite com base nos dados existentes até aquela época. Um desses locais selecionados estava localizado próximo da região no Sinus Aestuum, ao sudeste da cratera Eratóstenes, apenas um pouco ao sul da Cratera Imbrium.

Obviamente hoje nós sabemos mais sobre a Lua do que sabíamos quando essa localização foi proposta a mais de cinco décadas atrás. Sabendo o que sabemos hoje sobre o nosso satélite, podemos ver que essa teria sido uma fantástica escolha para uma exploração lunar inicial. Como é possível ver nas imagens aqui reproduzidas, essa superfície é relativamente suave, a sua localização próximo do equador lunar teria feito com que esse fosse um lugar favorável ao pouso de uma nave e a sua localização também teria facilitado a comunicação em tempo real com a Terra. Além disso, a escolha desse local teria permitido a amostragem nos raios da cratera Copérnico e uma direta exploração da cratera Eratóstenes, duas das feições que são a base da escala de tempo estratigráfico da Lua. Essa localização é centralizada entre alguns dos alvos hoje sabidos como tendo um alto interesse científico para exploração, incluindo a cratera Eratóstenes, a cratera Copérnico, os depósito ricamente mineralizados da região de Rima Bode, os depósitos regionais da Sinus Aestuum e o sul da Bacia Imbrium, embora uma extensa locomoção teria que ser necessária para acessar esses locais. Futuras missões sejam elas remotas, sejam ela humanas com certeza fornecerão novas idéias científicas sobre a superfície lunar, mas uma estadia mais longa no nosso satélite fornecerá com certeza mais benefícios valiosos, incluindo a flexibilidade de se fazer uma exploração cientificamente válida a locais de alto interesse científico bem como fornecer bases para se construir infra-estruturas lunares que possam auxiliar no estudo e compreensão do nosso único satélite.

Fonte:

http://lroc.sese.asu.edu/news/index.php?/archives/264-A-path-not-taken.html#extended

Um artigo histórico sobre os fundamentos estratigráficos para a definição da escala de tempo lunar pode ser encontrado aqui: http://tecnoscience.squarespace.com/arquivo/projeto-horizon-primordios-da-exploraco-lunar/

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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