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27 de fevereiro de 2024

A China Vai Caçar a Matéria Escura Com Um Grande Laboratório

A China continua com seus fortes investimentos em ciência, e não é em qualquer ciência é no que chamamos de big science, ou seja, grandes projetos científicos que têm a capacidade de impactar diretamente tanto as descobertas importantes para o mundo como a vida das pessoas. E nessa sequência, a China acaba de colocar em operação um laboratório que fica localizado a 2400 metros de profundidade na Província de Sichuan no sudoeste do país. Esse laboratório que entrou em operação na quinta-feira, dia 7 de dezembro de 2023, acaba de se tornar o maior e mais profundo laboratório subterrâneo do mundo.

Mas para que isso, para que criar um laboratório nessa profundidade? Os cientistas acreditam que o laboratório fornece um espaço totalmente limpo para que eles possam perseguir uma das coisas mais misteriosas da humanidade, a matéria escura. Os cientistas chineses disseram que a profundidade extrema ajuda a bloquear a maior parte dos raios cósmicos que acabam de certa forma prejudicando a observação.

O laboratório conhecido como Deep Underground and Ultra-low Radiation Background Facility for Frontier Physics Experiments, ou DURF para facilitar muito a nossa vida na hora de falar está localizado abaixo da Montanha Jinping na prefeitura autônoma de Liangshan Yi em Sichuan.

O DURF com sua capacidade de 330000 metros cúbicos é a segunda fase do Laboratório Subterrâneo China Jinping. A construção começou em dezembro de 2020 e foi realizada pela Universidade de Tsinghua e pela empresa Yalong River Hydropower Devlopment Company Ltd.

Devido à sua localização, o DURF está exposto a um pequeno fluxo de raios cósmicos que é apenas um centésimo de um milionésimo daquele que ocorre na superfície da Terra. O laboratório está num local que tem muitas outras vantagens incluindo o fluxo ultrabaixo de raios cósmicos, a radiação ambiental extremamente baixa, a concentração também extremamente baixa de radônio além de ser um espaço ultra limpo, tudo isso é necessário para tentar detectar a ilusiva matéria escura (se é que ela existe).

Os cientistas hoje de acordo com os modelos estimam que a matéria visível, ou bariônica, como é chamada é cerca de apenas 5% do universo, enquanto que 95% do universo é composto por duas coisas completamente desconhecidas, a matéria escura e a energia escura.

Um primeiro lote de pesquisadores é formado por 10 equipes de universidades e instituições de pesquisas chinesas, como a Universidade de Tsinghua, e a Universidade Jiao Tong de Xangai, e já foram colocados no DURF para começar a rodar seus experimentos.

O DURF se tornará um centro interdisciplinar de pesquisa científica subterrânea profunda de classe mundial, integrando múltiplas disciplinas, incluindo física de partículas, astrofísica nuclear e ciências da vida. Isso tudo fará com que a China se desenvolva e muito em campos da fronteira da ciência.

A primeira fase do Laboratório Subterrâneo China Jinping foi concluída e colocada em operação no final de 2010, com a capacidade de 4000 metros cúbicos. Essa fase inicial mesmo muito menor do que a atual já alcançou uma série de conquistas científicas elevando os experimento de detecção direta de matéria escura da China a um nível muito avançado no cenário global.

Fica aqui a dica para um país quer crescer e se destacar no mundo invista em Big Science!!!

Fonte:

https://english.news.cn/20231207/34b34488e6c84b3bad29f340403c669f/c.html

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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