As galáxias mais antigas escondem uma multidão de estrelas anãs, e podem pesar quatro vezes mais do que se calculava

Com 31 horas de exposição do NIRSpec, o James Webb mediu pela primeira vez a função de massa inicial em galáxias mortas há 6,5 bilhões de anos e encontrou um excesso de anãs vermelhas que reabre a crise das galáxias “impossivelmente precoces.

Toda balança precisa de um peso de referência, e a astronomia usou o mesmo durante quase um século: a Via Láctea. Quando um telescópio capta a luz de uma galáxia distante, ninguém conta suas estrelas uma a uma. O que se mede é o brilho total, convertido em massa por uma regra de proporção calibrada na nossa vizinhança. Um grupo internacional liderado pelo Observatório de Leiden, na Holanda, acaba de mostrar que essa regra falha justamente onde mais importa. Em nove galáxias que já estavam mortas há 6,5 bilhões de anos, o Telescópio Espacial James Webb encontrou um excesso de estrelas anãs, pequenas demais para brilhar mas numerosas demais para pesar pouco. Na mais velha delas, a conta ficou quatro vezes maior. Se o mesmo valer para as galáxias “impossivelmente precoces” que o Webb vem revelando nos confins do universo, elas podem ser quatro vezes mais massivas do que qualquer modelo consegue explicar.

O trabalho saiu na Nature Astronomy em 18 de agosto de 2026, assinado por Chloe Cheng, Martje Slob e Mariska Kriek, de Leiden, ao lado de 21 colaboradores de instituições nos Estados Unidos, na Dinamarca, na Alemanha, na Suíça, na China, na Espanha e na Bélgica. A lista inclui nomes que definiram o campo, como Pieter van Dokkum, de Yale, e Charlie Conroy, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, autores do código que tornou a medição possível. O título do artigo resume a tese sem rodeios: massa escondida em galáxias primitivas, revelada por funções de massa inicial carregadas na base. Para entender o que isso quer dizer, é preciso começar pela pergunta mais simples e mais difícil da astrofísica extragaláctica: quanto pesa uma galáxia?

A resposta direta seria contar as estrelas e somar as massas, mas nenhuma galáxia além das mais próximas permite esse censo. A milhões ou bilhões de anos-luz, uma galáxia inteira se reduz a uma mancha de luz, e a única informação disponível é o espectro dessa luz somada. A partir dele, os astrônomos estimam a idade das estrelas, sua composição química e, com um passo adicional de inferência, quantas estrelas de cada tamanho seriam necessárias para produzir aquele brilho. Esse último passo depende de uma hipótese sobre a distribuição das massas com que as estrelas nasceram. É essa distribuição que os astrônomos chamam de função de massa inicial, ou IMF, sigla em inglês para initial mass function, a receita demográfica que diz quantas estrelas pequenas nascem para cada estrela grande.

Edwin Salpeter descreveu a primeira versão dessa receita em 1955, a partir das estrelas da vizinhança solar: a cada estrela nascida com dez massas solares correspondem algumas dezenas de estrelas parecidas com o Sol e centenas de anãs vermelhas, numa lei de potência com expoente 2,35 que sobe sem parar conforme a massa diminui. Pavel Kroupa refinou a curva em 2001, mostrando que abaixo de meia massa solar a subida se torna mais suave. Com pequenas variações, essa forma foi encontrada em praticamente todos os cantos da Via Láctea, de aglomerados jovens a estrelas velhas do halo, e a comunidade passou a tratá-la como universal. Uma constante da natureza, aplicável a qualquer galáxia, em qualquer época, como a velocidade da luz.

A parte decisiva dessa curva é a que ninguém consegue ver. Estrelas de baixa massa, as anãs vermelhas com menos da metade da massa do Sol, respondem pela maior parte da massa estelar de uma galáxia como a nossa, mas produzem uma fração ínfima da luz. Uma anã de um décimo da massa solar brilha mil vezes menos que o Sol; uma gigante vermelha no fim da vida pode brilhar mil vezes mais. Quando a luz de bilhões de estrelas se soma, as gigantes dominam o espectro e as anãs desaparecem no ruído. É como tentar estimar a população de uma cidade contando as janelas acesas à noite: quem apaga a luz cedo some da contagem, mesmo que seja a maioria.

Para galáxias distantes, esse censo invisível é preenchido por extrapolação. Os modelos ajustam o espectro observado com as estrelas que brilham e completam a soma com o número de anãs que a IMF da Via Láctea prescreve. Se a galáxia em questão nasceu com mais anãs do que a nossa, a massa real fica escondida no cálculo, sistematicamente subestimada, sem que nada no brilho total denuncie o erro. Uma mudança modesta na inclinação da curva abaixo de meia massa solar pode dobrar ou quadruplicar a massa total de uma população estelar velha sem alterar quase nada da luz que ela emite. É exatamente essa alavanca que o novo estudo foi buscar.

Formas da IMF
Extended Data Fig. 3Formas da IMF. As curvas cinzas mostram a função de massa inicial ajustada para cada uma das nove galáxias do IMFERNO, comparadas com a IMF de Salpeter (linha preta) e a de Kroupa (tracejada azul), usada como referência da Via Láctea. Quanto mais alta a curva à esquerda, mais estrelas de baixa massa a galáxia abriga. As linhas pontilhadas verticais marcam os pontos de quebra da lei de potência, em 0,5 e 1 massa solar.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

A suspeita de que a receita não é universal vem crescendo há quinze anos. Em 2010, van Dokkum e Conroy detectaram, em galáxias elípticas gigantes dos aglomerados de Virgem e Coma, assinaturas espectrais que só estrelas anãs produzem, em intensidade incompatível com a IMF da Via Láctea. No mesmo período, medições dinâmicas do levantamento ATLAS3D, de Michele Cappellari e colegas, e análises de lentes gravitacionais chegaram a uma conclusão semelhante por caminhos independentes: quanto mais massiva a galáxia elíptica, maior a massa por unidade de luz em seu núcleo. O padrão foi batizado em inglês de bottom-heavy, algo como “pesado na base”, uma IMF com o prato das estrelas pequenas mais cheio do que o nosso.

Todas essas medições, porém, se restringiam ao universo próximo, a galáxias cuja luz partiu há algumas centenas de milhões de anos, no máximo. Para os objetos distantes, os que o Webb passou a flagrar em quantidades inesperadas nos primeiros bilhões de anos do cosmos, os astrônomos seguiram aplicando a IMF da Via Láctea, não por convicção, mas por falta de alternativa: os traços das anãs estão nas regiões vermelhas do espectro, deslocadas para o infravermelho pela expansão do universo, e nenhum instrumento conseguia registrá-los com a precisão necessária. A hipótese mais frágil da conta era justamente a que ninguém podia testar.

Enquanto isso, a tensão só aumentava. Desde 2022, o Webb vem encontrando galáxias massivas e já aposentadas, sem formação estelar, em épocas em que o universo tinha menos de 1,5 bilhão de anos. Adam Carnall e colegas confirmaram em 2023 uma galáxia quiescente em desvio para o vermelho 4,66, com dezenas de bilhões de massas solares em estrelas, formadas e extintas em um piscar de olhos cósmico. Levantamentos como CEERS, EXCELS, PRIMER e JADES ampliaram a lista para dezenas de objetos entre z de 3 e 5, vários com massas estelares acima de cem bilhões de sóis. O problema das galáxias “impossivelmente precoces”, expressão cunhada por Charles Steinhardt e colegas em 2016, ganhou um catálogo inteiro de exemplos.

O adjetivo não é retórico. Nos modelos de formação de galáxias, a matéria escura se aglomera primeiro, o gás cai nos poços gravitacionais que ela forma e as estrelas nascem em seguida, num processo cuja velocidade é limitada pela física do resfriamento do gás, pelo vento das supernovas e pela quantidade de matéria disponível em cada halo. Formar cem bilhões de massas solares de estrelas antes de o universo completar 1,5 bilhão de anos exige converter em estrelas quase todo o gás de um halo raro, com uma eficiência que as simulações não conseguem reproduzir. Cada nova galáxia desse tipo empurra os modelos um pouco mais para o limite. E as massas em disputa foram calculadas, todas elas, com a IMF da Via Láctea.

A equipe de Leiden atacou o problema por um caminho indireto. Se é impossível medir as anãs nas galáxias mais distantes, é possível medi-las em suas descendentes prováveis, galáxias que também morreram cedo mas estão perto o bastante para que o Webb registre seu espectro em detalhe. A escolha recaiu sobre um grupo de galáxias quiescentes em z aproximadamente 0,7, cuja luz partiu há 6,5 bilhões de anos, no campo COSMOS, uma região do céu na constelação do Sextante esquadrinhada por praticamente todos os grandes telescópios das últimas duas décadas. Se essas galáxias carregam um excesso de anãs, e se as mais velhas entre elas nasceram na mesma época das galáxias impossíveis, a conclusão se transfere para o passado remoto.

O programa recebeu o nome de IMFERNO, acrônimo em inglês para Initial Mass Function of Early Red NIRSpec Objects, função de massa inicial de objetos vermelhos primitivos do NIRSpec, e o número 5629 no catálogo de propostas do Webb, com Mariska Kriek, Aliza Beverage e Chloe Cheng como investigadoras principais. As observações foram executadas em 3 e 4 de maio de 2025 e concluídas no dia 25 do mesmo mês, com o espectrógrafo NIRSpec operando no modo de múltiplos objetos, por meio da matriz de microobturadores conhecida pela sigla MSA. São cerca de 250 mil janelas minúsculas, cada uma com uma fração de segundo de arco, que podem ser abertas ou fechadas individualmente para isolar a luz de dezenas de galáxias ao mesmo tempo.

Os nove espectros do NIRSpec
Figura 1Os nove espectros do NIRSpec. Espectros obtidos pelo Webb para as nove galáxias quiescentes do IMFERNO, em ordem crescente de desvio para o vermelho de baixo para cima, com os modelos de melhor ajuste sobrepostos. As faixas sombreadas marcam as absorções sensíveis às anãs: sódio neutro (NaI), tripleto do cálcio (CaT) e banda de Wing-Ford. O trecho entre 7.000 e 8.000 ångströns, dominado pelo óxido de titânio, ficou fora do ajuste. À direita, recortes de 8,5 segundos de arco das imagens COSMOS-Web de cada galáxia, com os microobturadores do NIRSpec desenhados por cima.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

O ponto de partida foi um levantamento europeu. O LEGA-C, sigla de Large Early Galaxy Astrophysics Census, censo astrofísico de galáxias primitivas grandes, usou o espectrógrafo VIMOS do Very Large Telescope, no Chile, para obter espectros de 3.600 galáxias entre z de 0,6 e 1,0, com vinte horas de exposição em cada uma, ao longo de 128 noites. Esses dados cobrem, no referencial de cada galáxia, o intervalo entre 3.700 e 5.100 ångströns, a região azul e violeta do espectro onde estão as linhas de Balmer do hidrogênio e as linhas de metais que revelam a idade da população estelar e a abundância de ferro, magnésio, cálcio e outros elementos. É o retrato químico e cronológico da galáxia, mas não o seu censo demográfico.

O lado azul do espectro, do VLT
Extended Data Fig. 1O lado azul do espectro, do VLT. Ajustes aos espectros do LEGA-C, obtidos com o VIMOS no Very Large Telescope, cobrindo o intervalo entre 3.700 e 5.200 ångströns no referencial das galáxias. É aqui que as linhas de Balmer e as linhas metálicas fixam a idade e a química de cada objeto, condição indispensável para separar o efeito das anãs do efeito das abundâncias.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

As impressões digitais das anãs ficam do outro lado do espectro. Entre 8.100 e 10.000 ångströns, no vermelho extremo e no infravermelho próximo, três absorções mudam de intensidade conforme a proporção entre anãs e gigantes: o dubleto do sódio neutro perto de 8.190 ångströns, o tripleto do cálcio ionizado entre 8.475 e 8.725, e a banda de Wing-Ford, uma absorção da molécula de hidreto de ferro por volta de 9.916 ångströns, identificada em 1969 no espectro da anã vermelha Wolf 359. Nas atmosferas comprimidas das anãs, de gravidade superficial alta, essas moléculas e átomos deixam marcas fundas; nas atmosferas rarefeitas das gigantes, quase não aparecem. Para uma galáxia em z de 0,7, esse trecho do espectro é lançado para além de 1,4 micrômetro, território onde o brilho do céu noturno e a absorção da atmosfera terrestre inviabilizam a precisão necessária a partir do solo.

A dificuldade não está em detectar essas linhas, e sim em medi-las com exatidão bastante. Testes com espectros simulados mostraram à equipe que seria preciso alcançar uma razão sinal-ruído mediana de pelo menos setenta por ångström nos dados do Webb, e de quinze por ångström nos dados do VLT, para separar o efeito das anãs do efeito de outras variáveis que alteram as mesmas linhas. O NIRSpec foi usado com a combinação de rede de difração e filtro G140M–F100LP, que cobre de 0,97 a 1,84 micrômetro com resolução espectral de aproximadamente 1.300, o suficiente para resolver as absorções sem diluí-las. No referencial das galáxias, isso corresponde a um trecho entre 5.700 e 10.800 ångströns, que se emenda ao intervalo azul do LEGA-C.

A sorte ajudou na escolha dos alvos. Em um único apontamento do Webb cabiam treze galáxias quiescentes massivas, com massas estelares estimadas entre 20 bilhões e 400 bilhões de sóis pela receita tradicional, todas com espectros do LEGA-C e imagens do levantamento COSMOS-Web. Quase todas pertencem ao chamado Muro do COSMOS, uma estrutura de grande escala em z de 0,73, uma parede de galáxias que marca uma região densa e madura do universo daquela época. Nove das treze produziram dados com sinal-ruído suficiente para a análise completa. A coincidência tem valor científico: galáxias em regiões densas são as que se formaram primeiro, e por isso as mais prováveis herdeiras dos gigantes precoces.

A amostra
Extended Data Table 1A amostra. Identificação, coordenadas, desvio para o vermelho espectroscópico e magnitude na banda H das nove galáxias do IMFERNO. Os desvios para o vermelho vão de 0,698 a 0,736; a galáxia 1134272, protagonista do estudo, é a mais brilhante da amostra, com H = 18,4.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

A estratégia de observação foi desenhada para galáxias que não são pontos, e sim manchas extensas que preenchem várias janelas da matriz. A equipe adotou um padrão de deslocamento em dois pontos, com o telescópio alternando a posição de cada galáxia em dois microobturadores, pouco mais de um segundo de arco, para evitar que a própria luz da galáxia fosse subtraída junto com o brilho do céu. Duas configurações quase idênticas da matriz, deslocadas por três obturadores na direção da dispersão, corrigiram os defeitos do detector. Sete das nove galáxias foram cobertas nas quatro posições resultantes, somando 31,2 horas de exposição efetiva; duas outras perderam uma das posições por falhas de obturador, mas mantiveram sinal bastante para entrar na amostra final.

Os dados brutos passaram pela versão 1.20.2 do pipeline oficial de calibração do Webb, complementada por uma correção do ruído correlacionado do detector que a mesma equipe desenvolvera para um programa anterior, o JWST-SUSPENSE, dedicado a galáxias quiescentes entre z de 1 e 3. A extração dos espectros unidimensionais usou um perfil de Moffat, e as escalas de fluxo dos dois instrumentos, VLT e Webb, foram ancoradas na fotometria do catálogo COSMOS2025, para que os dois trechos se encaixassem sem degraus. O resultado, para cada galáxia, é um espectro contínuo de quase 7.000 ångströns de extensão no referencial de repouso, com profundidade inédita para essa distância.

Ler um espectro desse tipo exige um tradutor. O escolhido foi o ALF, sigla de Absorption Line Fitter, ajustador de linhas de absorção, um código de síntese de populações estelares desenvolvido por Conroy e van Dokkum ao longo da última década. Ele constrói espectros teóricos de populações estelares a partir de bibliotecas empíricas de estrelas reais, como a MILES e a biblioteca estendida do IRTF, complementadas por uma amostra de anãs M e por modelos teóricos nas bordas do espaço de parâmetros, e os compara com a observação, ajustando dezenas de variáveis ao mesmo tempo. Sua singularidade está em deixar livres, simultaneamente, as abundâncias de dezoito elementos químicos e a forma da IMF nas baixas massas. Nenhum outro código faz isso hoje.

A IMF foi descrita como uma lei de potência quebrada em dois pontos, meia massa solar e uma massa solar, com o limite inferior fixado em 0,08 massa solar, a fronteira abaixo da qual um objeto não consegue fundir hidrogênio e vira anã marrom. Acima de uma massa solar, a inclinação ficou presa ao valor clássico de Salpeter; abaixo, os dois expoentes, α1 e α2, puderam variar livremente, com os valores de Kroupa, 1,3 e 2,3, servindo de referência para a Via Láctea. Um algoritmo de Monte Carlo com cadeias de Markov, o emcee, percorreu o espaço de 46 parâmetros com 1.024 caminhantes, 20 mil passos de aquecimento e mil passos de produção por galáxia, para mapear toda a distribuição de incerteza em torno de cada valor, e não somente os valores mais prováveis.

A IMF como lei de potência quebrada
Equação 1A IMF como lei de potência quebrada. O número de estrelas por intervalo de massa, dN/dm, é descrito em três trechos: dois expoentes livres, α1 e α2, abaixo de 0,5 e de 1 massa solar, e o expoente fixo de Salpeter, 2,35, entre 1 e 100 massas solares. Na Via Láctea, os valores de Kroupa são α1 = 1,3 e α2 = 2,3.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

O maior inimigo dessa medição é uma ambiguidade química. A linha do sódio a 8.190 ångströns se aprofunda tanto com mais anãs quanto com mais sódio, e galáxias elípticas velhas são notoriamente ricas nesse elemento. Separar as duas causas exige outras linhas de sódio em regiões diferentes do espectro, como o dubleto NaD perto de 5.900 ångströns, que responde à abundância mas pouco à proporção de anãs, e exige também o cálcio, cuja abundância é fixada pela linha a 4.227 ångströns no trecho azul. É por isso que a combinação LEGA-C mais Webb foi indispensável: o azul fixa a química e a idade, o vermelho revela a demografia, e o ajuste conjunto impede que um efeito se disfarce de outro.

Anatomia de um ajuste
Extended Data Fig. 2Anatomia de um ajuste. O espectro completo da galáxia 1134272, com o trecho azul do LEGA-C no painel superior e o trecho vermelho do IMFERNO no inferior; o modelo do ALF aparece em vermelho sobre os dados em cinza. As caixas ampliam as três absorções sensíveis às anãs: NaI, tripleto do cálcio e banda de Wing-Ford. No canto, os parâmetros recuperados: dispersão de velocidades de 293 km/s, αIMF de 4,01 e idade de 5,86 bilhões de anos.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

O resultado de cada ajuste se condensa num número, batizado de αIMF, o parâmetro de descompasso da IMF. Ele é a razão entre a massa por unidade de luz obtida com a IMF livre e a obtida com a IMF da Via Láctea, calculadas na mesma banda, a F814W do Hubble. Como a luz é a mesma nos dois casos, αIMF mede diretamente quanto de massa a receita tradicional deixou de contar. Um valor de 1 descreve uma galáxia igual à nossa; um valor de 2 indica que a galáxia tem o dobro da massa estelar que se atribuiria a ela. É uma taxa de câmbio entre luz e matéria, e o estudo descobriu que ela não é fixa.

Nas nove galáxias, αIMF variou entre 1,1 e 4,0, com mediana de 1,4. Em duas delas, o desvio em relação à Via Láctea supera dois desvios-padrão, um limiar que os autores consideram robusto mesmo levando em conta apenas as incertezas estatísticas. Os valores mais altos se concentram nas galáxias com maior dispersão de velocidades, maior abundância de ferro e maior massa dinâmica, o mesmo trio de correlações encontrado nas elípticas próximas ao longo dos últimos quinze anos. A diferença é o relógio: essas relações já estavam prontas quando o universo tinha metade da idade atual, o que sugere que se estabeleceram na formação das galáxias, e não em sua evolução posterior.

O parâmetro de descompasso
Figura 2O parâmetro de descompasso. αIMF, a razão entre a massa por unidade de luz com IMF livre e com a IMF da Via Láctea, em função da dispersão de velocidades (a) e da abundância de ferro (b). Os triângulos são as galáxias do IMFERNO, coloridos pela massa dinâmica; a linha tracejada em αIMF = 1 marca uma galáxia idêntica à nossa. Em cinza e azul, medições em elípticas do universo próximo; os círculos bege são as pilhas de espectros em z ≈ 1,1 de Martín-Navarro e colegas.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

O achado se alinha a indícios anteriores obtidos por métodos menos diretos. Em 2015, Ignacio Martín-Navarro, também coautor do novo artigo, havia detectado um sinal semelhante em espectros empilhados de galáxias em z aproximadamente 1,1, usando um único índice sensível ao óxido de titânio. Medições de lentes gravitacionais fracas em galáxias elípticas distantes apontaram na mesma direção. O que o IMFERNO acrescenta é a medição individual, galáxia por galáxia, a partir do espectro inteiro, com todas as variáveis químicas controladas ao mesmo tempo. Empilhar espectros dilui as diferenças entre objetos; medir cada um separadamente mostra que as diferenças são o próprio resultado.

A protagonista do estudo é a galáxia identificada pelo número 1134272. É a mais brilhante da amostra, com magnitude 18,4 na banda H, e a mais velha: suas estrelas têm idade média de 5,86 bilhões de anos, o que, para uma galáxia observada quando o universo tinha cerca de 7,3 bilhões de anos, significa que nasceram pouco mais de um bilhão de anos após o Big Bang. Suas estrelas se movem com dispersão de velocidades de 293 quilômetros por segundo, sinal de um poço gravitacional profundo. Seu ajuste retornou αIMF de 4,01, com incerteza de cerca de 0,8 para cada lado. A inclinação da IMF abaixo de meia massa solar saiu em 3,17, contra 1,3 na Via Láctea: uma curva que despenca em direção às anãs.

Traduzido em massa, o número muda a categoria do objeto. Com a receita da Via Láctea, o levantamento fotométrico atribuía a 1134272 cerca de 390 bilhões de massas solares em estrelas. Com a IMF medida, a estimativa sobe para 1,5 trilhão, valor que coincide, dentro das incertezas, com a massa dinâmica de 1,5 trilhão de massas solares calculada a partir do movimento das estrelas e do tamanho da galáxia. O ajuste também revelou uma abundância de sódio mais de dez vezes superior à do Sol, uma das assinaturas químicas de formação estelar rápida e intensa. Tudo nela aponta para um nascimento precoce, violento e breve, seguido de bilhões de anos de silêncio.

Os números de cada galáxia
Extended Data Table 2Os números de cada galáxia. Massa dinâmica, massa estelar com IMF livre e com IMF da Via Láctea, dispersão de velocidades, idade, abundância de ferro, razões massa-luminosidade e αIMF para as nove galáxias. A linha de 1134272 mostra o salto de log M* = 11,59 para 12,19, quatro vezes mais massa, e um αIMF de 4,01.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

Esse calendário é o elo com as galáxias impossíveis. Adotando o tempo típico de formação estelar dessas galáxias, entre 100 e 200 milhões de anos, os autores calculam que 1134272 já havia parado de formar estrelas em z aproximadamente 4,6, ou seja, no mesmo intervalo de desvio para o vermelho em que o Webb encontra as galáxias quiescentes que desafiam os modelos. A galáxia mais velha e mais massiva da amostra é também a de IMF mais carregada de anãs, e é uma candidata natural a descendente daquela população. Os autores não descartam que as outras oito também descendam de gigantes precoces, com idades aparentes rejuvenescidas por episódios tardios de acréscimo de gás ou de formação estelar.

O contraste dentro da própria amostra reforça a leitura. A galáxia 1146989, com dispersão de velocidades de 169 quilômetros por segundo e idade de 2,1 bilhões de anos, saiu do ajuste com αIMF de 1,14, indistinguível da Via Láctea, com abundância de sódio modesta e inclinação da IMF de 1,68, próxima do valor de Kroupa. Mesma época, mesma região do céu, mesmo instrumento, mesma análise: o que distingue as duas galáxias é a massa, a idade e a violência da formação. A IMF, ao que tudo indica, guarda memória das condições em que as estrelas nasceram, e essas condições variaram de galáxia para galáxia já no universo jovem.

A galáxia pesada na base
Extended Data Fig. 4aA galáxia pesada na base. Distribuições de probabilidade dos parâmetros de 1134272: idade, abundâncias de ferro, sódio e cálcio e os dois expoentes da IMF. O sódio mais de dez vezes acima do solar e o expoente α1 = 3,17, encostado no limite superior permitido, definem uma população dominada por anãs.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited
A galáxia parecida com a Via Láctea
Extended Data Fig. 4bA galáxia parecida com a Via Láctea. O mesmo diagrama para 1146989, com sódio modesto, α1 = 1,68 e uma distribuição larga e mal definida para os expoentes da IMF, como se espera de uma galáxia sem excesso de anãs.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

Uma massa quatro vezes maior precisa caber dentro da galáxia, e esse foi o teste de sanidade do estudo. Para cada objeto, a equipe comparou a massa estelar com a massa dinâmica, derivada da dispersão de velocidades e do raio efetivo com uma calibração construída no próprio LEGA-C. Com a IMF da Via Láctea, as massas estelares ficam sistematicamente abaixo das dinâmicas, e o abismo se alarga nas galáxias mais massivas. Corrigidas pelo αIMF de cada uma, as massas estelares sobem até coincidir com as dinâmicas, e nenhuma delas ultrapassa o limite físico em que uma galáxia teria mais estrelas do que massa total. A IMF pesada na base preenche a lacuna quase com exatidão, sem estourar a conta.

O teste de sanidade
Figura 3O teste de sanidade. Massa dinâmica em função da massa estelar. Os círculos cinzentos usam a IMF da Via Láctea e ficam sistematicamente à esquerda da linha de igualdade, sobretudo nas galáxias mais massivas; os triângulos, corrigidos pelo αIMF de cada galáxia, deslizam até a diagonal. A região sombreada é fisicamente impossível: nenhuma galáxia pode ter mais massa em estrelas do que massa total.Crédito: C. M. Cheng et al., Nature Astronomy, 2026 (DOI 10.1038/s41550-026-02932-4) · © The Author(s), sob licença exclusiva à Springer Nature Limited

O encaixe tão justo tem uma consequência curiosa: sobra pouco espaço para matéria escura e gás nessas regiões centrais. Os autores consideram isso esperado. As galáxias da amostra são compactas, com raio efetivo mediano de 5,4 quiloparsecs, cerca de 17,6 mil anos-luz, e a medição dinâmica captura apenas o miolo dominado por estrelas, onde a matéria escura contribui pouco; galáxias quiescentes nessa época já perderam quase todo o gás. Há ainda a possibilidade de que as massas dinâmicas estejam subestimadas, seja pela perda de luz nas fendas, seja porque parte dessas galáxias gira, e a rotação não é bem capturada pela dispersão de velocidades. Uma modelagem dinâmica completa, com o método de Jeans anisotrópico, está em preparação por Martje Slob para fechar essa questão.

O quadro combina com a teoria mais aceita para a origem das elípticas gigantes, o modelo de formação em duas fases. Na primeira, um núcleo denso e compacto se forma cedo, num surto intenso; na segunda, ao longo de bilhões de anos, a galáxia engorda pela absorção de satélites menores, que depositam estrelas nas regiões externas sem alterar muito o centro. Se a IMF pesada na base é uma marca de nascença do núcleo, ela deveria estar presente desde o início e diluir-se aos poucos, à medida que estrelas nascidas em condições mais brandas se misturam. Algumas galáxias do IMFERNO parecem mais carregadas de anãs do que os núcleos das elípticas atuais, exatamente o que se espera se a diluição ainda não havia começado.

É aqui que a inferência salta para o passado. Se as galáxias impossivelmente precoces nasceram com a mesma IMF que 1134272 exibe hoje, suas massas estelares reais seriam cerca de quatro vezes maiores do que as publicadas, com incerteza de mais ou menos um nesse fator, considerando apenas os erros estatísticos. Objetos catalogados com cem bilhões de massas solares passariam a ter quatrocentos bilhões, várias vezes a massa estelar da Via Láctea atual, reunida antes de o universo completar 1,5 bilhão de anos. O argumento se estende aos progenitores: se as galáxias mortas estão subestimadas, as galáxias em formação que as originaram também estão. A tensão com os modelos, em vez de se aliviar, se aprofunda.

Os autores são cuidadosos em demarcar os limites dessa extrapolação. O primeiro é geométrico. Cada αIMF foi medido na região coberta pelos microobturadores, que abrange em média o raio interno de meia luz das galáxias, e foi aplicado à galáxia inteira. Nas elípticas atuais, sabe-se que a IMF varia com o raio: pesada na base dentro de 0,4 raio efetivo e parecida com a da Via Láctea nas periferias. Se o mesmo gradiente existia em z de 0,7, o fator de correção para a galáxia completa cairia pela metade. A objeção a isso é que as galáxias cresceram de tamanho por um fator de pelo menos dois entre z de 5 e z de 0,7, de modo que a região observada hoje corresponde à galáxia inteira de então. Medições resolvidas espacialmente, já planejadas, decidirão.

O segundo limite é estatístico. Nove galáxias, todas na mesma estrutura densa, não são um retrato do universo em z de 0,7, e os autores reconhecem que amostras maiores e mais diversas serão necessárias antes de generalizar. O terceiro é de modelagem. O ALF é hoje o único código capaz dessa medição, e por isso não existe uma segunda opinião independente para os mesmos dados. Bibliotecas estelares diferentes preveem intensidades de absorção diferentes para a mesma idade e metalicidade, e escolhas de contínuo, de priors e de resolução instrumental podem deslocar os resultados. Todas as incertezas publicadas são estatísticas; as sistemáticas ficam de fora, por não poderem ainda ser quantificadas.

Para reduzir essa margem, a equipe repetiu o ajuste sob condições alteradas. Excluiu, uma de cada vez, cada uma das três absorções sensíveis às anãs, e os resultados se mantiveram, porque a IMF deixa marcas ao longo de todo o espectro, muito além das linhas conhecidas. Mascarou a linha NaD, que pode ser contaminada pelo gás interestelar; incluiu a região entre 7.000 e 8.000 ångströns, dominada pelo óxido de titânio; trocou as curvas de resolução instrumental; variou o limite inferior de massa em torno de 0,1 massa solar; fixou a ordem do polinômio de normalização do contínuo. Em todos os casos as conclusões resistiram, às vezes com barras de erro maiores. A banda de Wing-Ford caiu na lacuna entre os detectores para parte das galáxias, e mesmo assim os ajustes convergiram.

Resta uma ressalva de fundo, que os próprios autores fazem questão de registrar. O método enxerga apenas a razão entre estrelas pequenas e grandes; a inclinação da IMF acima de uma massa solar ficou travada no valor de Salpeter. Se, nas galáxias primitivas, essa parte da curva também diferia da nossa, com mais estrelas massivas do que o padrão, parte do excesso de massa poderia ser compensada, porque estrelas massivas morrem cedo e deixam remanescentes que pesam menos do que as estrelas originais. Propostas de IMF simultaneamente carregadas no topo e na base, dependentes da metalicidade ou variáveis no tempo circulam na literatura há anos. O novo resultado fixa uma das pontas da curva; a outra segue em aberto.

Por que uma galáxia nasceria com mais anãs? A teoria oferece pistas, não certezas. Modelos de fragmentação de nuvens moleculares, como os de Gilles Chabrier, Patrick Hennebelle e Stéphane Charlot, de 2014, sugerem que em ambientes de formação estelar extrema, com gás denso, turbulento e sob alta pressão, as nuvens se estilhaçam em fragmentos menores, deslocando para baixo a massa característica das estrelas recém-nascidas. Os núcleos das elípticas gigantes nasceram exatamente nessas condições: surtos de centenas ou milhares de massas solares por ano em regiões de poucos milhares de anos-luz. A química é compatível com o cenário, com a abundância elevada de sódio medida pelo ALF e, nesse tipo de galáxia, o enriquecimento em elementos alfa típico de formação rápida. A IMF pesada na base seria, nessa leitura, a cicatriz de um parto violento.

Os próximos passos já têm número de programa. A mesma equipe obteve tempo no ciclo 5 do Webb, sob o identificador 10660, para estender os espectros das nove galáxias do IMFERNO a comprimentos de onda ainda mais vermelhos, onde outras absorções sensíveis às anãs, como as bandas do monóxido de carbono, oferecem uma verificação independente. O obstáculo, nesse caso, está nos modelos, que ainda não reproduzem bem essa região do espectro nem em galáxias próximas, e precisarão ser aperfeiçoados junto com os dados. A meta de longo prazo é mais ambiciosa: medir a IMF diretamente em galáxias quiescentes em z de 3 a 5, na própria época das impossíveis, o que exigirá exposições mais profundas do que as 31 horas deste programa.

As consequências ultrapassam a contabilidade de galáxias individuais. Boa parte do que se sabe sobre a história cósmica da formação estelar, a densidade de massa em estrelas ao longo do tempo e a eficiência com que os halos de matéria escura convertem gás em estrelas depende da mesma taxa de câmbio entre luz e massa. Se essa taxa varia com a massa e com a época, como o IMFERNO indica, então as galáxias mais massivas de cada era foram sistematicamente subestimadas, e a curva de crescimento do universo precisa ser redesenhada na ponta superior. O resultado não resolve o problema das galáxias impossíveis; torna-o mais agudo, e desloca a pergunta para o gás: de onde veio matéria suficiente para tantas estrelas, tão cedo?

Há uma ironia silenciosa nessa descoberta. Durante um século, a astronomia pesou o universo pelo que brilha, e a resposta esteve o tempo todo no que não brilha. As anãs vermelhas de 1134272 nasceram quando o cosmos tinha um bilhão de anos e vão continuar queimando hidrogênio por trilhões de anos ainda, muito depois de as gigantes que hoje dominam sua luz terem se apagado. Elas são a maioria invisível, a massa que nenhuma janela acesa revela. O Webb precisou de 31 horas de exposição e de um código capaz de ler dezoito elementos químicos de uma vez para escutá-las. O que elas disseram é que as primeiras grandes galáxias eram ainda maiores do que parecem, e que o peso de referência que usamos para medir o universo, a nossa própria galáxia, pode ser a exceção, e não a regra.

Fonte

Cheng, C. M., Slob, M., Kriek, M., Beverage, A. G., van Dokkum, P. G., Bezanson, R., Brammer, G., Conroy, C., de Graaff, A., Eftekhari, E., Feldmann, R., Goesaert, W. M., Gu, M., Leja, J., Lorenz, B., Mancera Piña, P. E., Martín-Navarro, I., Newman, A. B., Price, S. H., Shapley, A. E., Sharda, P., Suess, K. A., van der Wel, A. & Weisz, D. R. Hidden mass in early galaxies revealed by bottom-heavy initial mass functions. Nature Astronomy, publicado on-line em 18 de agosto de 2026. DOI: 10.1038/s41550-026-02932-4.

Dados: programa JWST-GO-5629 (IMFERNO; PIs M. Kriek, A. G. Beverage e C. M. Cheng), observações de 3–4 e 25 de maio de 2025, disponíveis no MAST (10.17909/k0zz-f371); espectros do LEGA-C (ESO, VLT/VIMOS); imagens COSMOS-Web. Código: ALF (Conroy & van Dokkum).

Sérgio Sacani

Formado em geofísica pelo IAG da USP, mestre em engenharia do petróleo pela UNICAMP e doutor em geociências pela UNICAMP. Sérgio está à frente do Space Today, o maior canal de notícias sobre astronomia do Brasil.

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