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Uma erupção vulcânica pode mudar o clima a milhares de quilômetros de distância. Foi o que aconteceu com o Tambora, na Indonésia, cuja erupção em 1815 ajudou a produzir o chamado “ano sem verão” de 1816 em partes do Hemisfério Norte. Mas o que determina o poder de um vulcão para esfriar a superfície? A intensidade da explosão, a quantidade de enxofre ou sua localização? Neste vídeo, investigamos uma descoberta que desafia nossa intuição sobre vulcões e clima.

Um estudo publicado na Geophysical Research Letters reavaliou a ideia de que erupções fora dos trópicos poderiam produzir um resfriamento regional muito maior do que erupções tropicais comparáveis. Uma pesquisa anterior chegou a estimar uma diferença de sete vezes e meia. Agora, Zachary McGraw, Benjamin Goldman e Lorenzo Polvani mostram por que esse número pode ter sido exagerado. A investigação combina simulações climáticas, reconstruções de temperaturas antigas e testes estatísticos para separar o efeito físico dos limites das evidências. A ciência também testa as certezas.

O mecanismo começa com o enxofre. Quando uma erupção injeta dióxido de enxofre na estratosfera, esse gás pode formar pequenas gotículas de ácido sulfúrico, os aerossóis. Essas partículas espalham parte da radiação solar de volta para o espaço, reduzindo a energia que chega à superfície e provocando um resfriamento temporário. Não é a lava que esfria o planeta, nem uma camada permanente de cinzas cobrindo o céu. A distribuição e a duração dos aerossóis são fundamentais para entender a resposta climática.

Para testar a influência da localização, os pesquisadores usaram o modelo NASA GISS ModelE2.2 e compararam erupções no equador e a 64 graus norte, latitude representativa da Islândia. Variaram a quantidade de enxofre estratosférico e a época do ano, repetindo cada combinação com diferentes condições iniciais. Foram 160 simulações. O foco principal foi o pico de resfriamento de verão sobre os continentes ao norte de 30 graus de latitude norte, e não a temperatura média de toda a Terra.

Os resultados apontaram uma vantagem extratropical entre 1,4 e 1,9 vez nas simulações, muito abaixo das sete vezes e meia. Essa diferença moderada é compatível com a concentração dos aerossóis em um hemisfério, enquanto erupções tropicais podem espalhá-los pelos dois. Os registros paleoclimáticos também indicaram razões próximas de duas vezes nas principais reconstruções. Isso não estabelece um limite universal: há incertezas nos dados, e os modelos simplificam processos da evolução dos aerossóis.

A grande virada está na comparação. A relação entre enxofre e resfriamento não cresce sempre na mesma proporção: nas cargas maiores, a resposta tende a se achatar. Comparar grupos de erupções com tamanhos diferentes usando relações lineares pode exagerar a vantagem de um deles. A equipe investigou esse problema com 100 mil versões estatísticas sintéticas do registro histórico, não com 100 mil novas simulações completas do planeta. O teste mostrou como amostras pequenas e escolhas metodológicas podem inflar uma estimativa.

Mas intensidade por evento não é o mesmo que importância ao longo da história. Grandes erupções extratropicais são raras. Nos registros analisados, episódios de resfriamento de verão coincidiram mais frequentemente com erupções tropicais, inclusive no norte da Escandinávia. Assim, embora uma erupção do norte possa esfriar mais a região quando comparada a outra com quantidade semelhante de enxofre, as tropicais tiveram maior influência agregada no resfriamento vulcânico histórico estudado.

O resfriamento vulcânico é temporário e não resolve o aquecimento global. Entender essa diferença ajuda a discutir mudanças climáticas sem confundir fenômenos distintos. Assista ao vídeo e descubra por que o vulcão mais próximo nem sempre é o que mais importa para o clima. Qual resultado mais surpreendeu você? Conte nos comentários e compartilhe esta investigação.

Artigo científico: https://doi.org/10.1029/2026GL122071