Com o Very Large Array, astrônomos detectaram uma contraparte de rádio de apenas nove microjanskys em SN 2025ulz, a explosão coincidente com o alerta S250818k. O sinal pode ser o vento da estrela moribunda atropelado pelos próprios destroços ou um jato relativístico apontado para longe da Terra

Às 01h20min06s do dia 18 de agosto de 2025, no horário universal, os espelhos suspensos dos detectores LIGO e Virgo registraram um tremor tão tênue que nem os próprios instrumentos souberam dizer se ele era real. A análise automática atribuiu ao sinal uma probabilidade de cerca de 70% de não passar de ruído e estimou que um alarme falso daquele tipo apareceria cerca de duas vezes por ano. Em outra circunstância, o evento teria sido arquivado e esquecido. Mas a forma da perturbação apontava para algo raro: a fusão de duas estrelas de nêutrons, uma delas possivelmente mais leve que o Sol, um objeto que as teorias de evolução estelar dizem não poder nascer. E, naquela mesma janela de tempo, em uma galáxia anônima cuja luz leva mais de um bilhão de anos para chegar até nós, um ponto novo acendeu no céu.

O alerta, batizado S250818k pela colaboração LIGO-Virgo-KAGRA, chegou aos astrônomos com uma incerteza de posição brutal. A região de 90% de confiança cobria aproximadamente 786 graus quadrados, uma área de céu equivalente a quase quatro mil luas cheias enfileiradas, e a distância estimada era de 259 megaparsecs, com margem de erro de 74 megaparsecs, algo em torno de 845 milhões de anos-luz, para mais ou para menos 240 milhões. Procurar a contraparte luminosa de uma fusão nesse território é vasculhar um palheiro do tamanho de um continente. Foi o que fez o Zwicky Transient Facility, a câmera de grande campo instalada no telescópio Schmidt de 1,2 metro do Observatório Palomar, na Califórnia, que varre o céu do hemisfério norte a cada poucas noites em busca de qualquer coisa que mude de brilho.

Entre as centenas de pontos variáveis que surgem numa varredura dessas, apenas um sobreviveu aos filtros: ZTF25abjmnps, logo renomeado SN 2025ulz, o único candidato com cor avermelhada e desvio para o vermelho fotométrico compatível com a distância indicada pelas ondas gravitacionais. Na primeira semana, o objeto parecia saído de um manual. Esmaecia depressa e ficava cada vez mais vermelho, exatamente como a quilonova (do inglês kilonova, o brilho produzido pelo decaimento radioativo dos elementos pesados forjados nos destroços de uma fusão de estrelas de nêutrons) que acompanhou GW170817 em 2017. Houve quem esperasse a chegada de uma explosão de raios gama associada, ou o surgimento tardio de um pós-brilho (afterglow, a emissão da onda de choque de um jato relativístico contra o gás ao redor) quando a luz da quilonova se apagasse.

A esperança durou pouco. Espectros obtidos nas semanas seguintes por telescópios de vários continentes mostraram linhas de hidrogênio que se enfraqueciam enquanto o hélio ganhava força, a assinatura de uma supernova do tipo IIb, em um desvio para o vermelho de 0,0848. O que parecia a segunda quilonova da história revelou-se a morte de uma estrela massiva. A distância implicada pelo desvio para o vermelho, contudo, cai a menos de dois desvios-padrão da mediana estimada para a fonte gravitacional, de modo que a coincidência espacial e temporal sobreviveu à mudança de diagnóstico. Uma supernova comum no lugar certo e na hora certa pode ser só acaso. Pode também ser a primeira pista de um fenômeno que ninguém havia observado.

Supernovas do tipo IIb nascem de estrelas com mais de oito vezes a massa do Sol que perderam quase todo o envelope de hidrogênio antes de morrer, seja para uma companheira que o sugou por interação gravitacional, seja por ventos estelares intensos, mas conservaram uma camada fina do gás original. Quando o núcleo de ferro colapsa e a onda de choque atravessa o que restou da estrela, o hidrogênio residual brilha por alguns dias e depois cede lugar ao hélio das camadas mais profundas. A classe recebe o nome de envelope despido (stripped-envelope, estrela desnudada de suas camadas externas) e funciona como uma ponte entre as supernovas ricas em hidrogênio do tipo II e as explosões totalmente despidas dos tipos Ib e Ic. O exemplo mais estudado é SN 1993J, na galáxia M81.

Vários grupos que analisaram SN 2025ulz concluíram que se trata de um evento bastante típico dentro dessa família, e a possibilidade de que a coincidência com S250818k seja apenas um acidente estatístico nunca foi descartada. Ainda assim, se a associação for verdadeira, ela carrega uma implicação que incomoda os teóricos. O sinal gravitacional é compatível com uma fusão que envolve estrelas de nêutrons com massa inferior à do Sol. Para que esses dois fatos convivam, o cenário mais simples é também o mais estranho: a fusão teria acontecido dentro da própria estrela em colapso, no interior da explosão que vimos como uma supernova. É esse nó que transforma um alerta de baixa significância em um dos episódios mais discutidos do quarto ciclo de observações dos detectores.

O problema da massa é central. Modelos de evolução estelar preveem que uma estrela de nêutrons não pode nascer com menos de cerca de 1,2 massa solar, porque o núcleo de uma estrela moribunda precisa acumular pelo menos essa quantidade de matéria antes de ceder à própria gravidade. Do lado observacional, o recorde de leveza é de uma estrela de nêutrons com 1,02 massa solar, com incerteza de 0,17. Objetos ainda mais leves, até cerca de um décimo da massa do Sol, poderiam existir em teoria e permanecer estáveis, mas apenas se formados em ambientes extraordinariamente ricos em nêutrons, como o interior de uma estrela em rotação muito rápida que desaba sobre si mesma. Fora dali, a física não oferece um caminho conhecido para fabricá-los.

Os canais propostos para criar estrelas de nêutrons leves demais exigem rotação extrema. Em um deles, o disco de matéria que se forma em torno do objeto compacto recém-nascido gira tão depressa que se fragmenta, e um dos pedaços condensa num segundo corpo denso. Em outro, o próprio núcleo em colapso, inchado pela força centrífuga como uma gota de água girando num prato, parte-se em dois fragmentos que passam a orbitar um ao outro. Em ambos os casos, os dois corpos perdem energia emitindo ondas gravitacionais, aproximam-se em espiral e se fundem em segundos ou minutos, ainda cercados pelas camadas externas da estrela que explode. O resultado seria uma supernova com uma fusão de estrelas de nêutrons escondida em seu coração.

Esse cenário tem nome. Em 2022, uma equipe liderada por Daniel Siegel cunhou o termo superkilonova (superquilonova) para descrever um colapsar, uma estrela massiva em rotação rápida que desaba num buraco negro, capaz de produzir várias massas solares de elementos pesados pelo processo r, a captura rápida de nêutrons que forja ouro, platina e urânio. Depois de SN 2025ulz, Mansi Kasliwal e colaboradores propuseram ampliar a definição para abranger qualquer supernova de colapso de núcleo que abrigue síntese de elementos pesados do tipo da que ocorre numa quilonova. Dentro dessa moldura, a detecção de um pós-brilho de rádio vindo de um jato seria evidência de apoio decisiva, porque ligaria a supernova a um progenitor em rotação acelerada, capaz de lançar fluxos de matéria desde casulos moderadamente velozes até jatos relativísticos semelhantes aos das explosões de raios gama.

A lição de por que buscar essa resposta em ondas de rádio vem de 2017. Quando GW170817 foi detectada, a quilonova dominou o céu óptico por duas semanas e depois sumiu. Foi no rádio, com o Very Large Array, que a equipe de Gregg Hallinan, Alessandra Corsi e Kunal Mooley flagrou, dezesseis dias após a fusão, um brilho fraco que cresceu lentamente por quase meio ano e revelou um jato estruturado apontado para longe da Terra. Em 2018, Mooley mediu o deslocamento aparente dessa fonte no céu e provou que ela se movia mais depressa do que a luz em projeção, a prova definitiva do jato. Os três são coautores do novo trabalho sobre SN 2025ulz, e o programa que o produziu nasceu diretamente daquela experiência.

A lógica é simples. Enquanto a luz visível de uma supernova ou de uma quilonova ofusca qualquer coisa ao redor, as ondas de rádio não se importam com o brilho térmico dos destroços. Elas respondem apenas aos elétrons acelerados a velocidades próximas à da luz em choques magnetizados, isto é, ao material mais rápido da explosão. Um jato apontado para longe de nós, invisível em raios gama e soterrado no óptico, pode emergir no rádio semanas ou meses depois, à medida que desacelera e sua emissão se abre em um cone cada vez mais largo. Para SN 2025ulz, as não detecções em rádio e raios X nos primeiros 40 dias já haviam desfavorecido a hipótese de que a luz óptica fosse dominada por um pós-brilho, mas deixaram em aberto a existência de um jato fraco e fora da linha de visada.

O instrumento escolhido para a caçada foi o Karl G. Jansky Very Large Array, conjunto de 27 antenas de 25 metros espalhadas em forma de Y pelas planícies de San Agustin, no Novo México. O programa se chama JAGWAR, sigla de Jansky VLA mapping of Gravitational Waves as Afterglows in Radio, e é coordenado por Alessandra Corsi, da Universidade Johns Hopkins. As antenas do VLA podem ser deslocadas sobre trilhos para arranjos mais compactos ou mais abertos, o que altera a nitidez da imagem como se o telescópio trocasse de lente. A equipe observou SN 2025ulz nas configurações CnB, B e A, em frequências de 3 a 15 gigahertz, em blocos de cerca de três horas por banda. A primeira época começou em 21 de agosto de 2025, três dias após o alerta; a última, em 17 de março de 2026, 211 dias depois.

Dois outros radiotelescópios completaram a campanha. O Giant Metrewave Radio Telescope aprimorado, o uGMRT, com suas 30 antenas de 45 metros perto de Pune, na Índia, apontou para o campo em 26 de agosto de 2025, por duas horas, na banda de 1.000 a 1.450 megahertz, e não encontrou nada acima de 63 microjanskys. O MeerKAT, rede de 64 antenas de 13,5 metros no deserto do Karoo, na África do Sul, observou o alvo em várias épocas ao longo das primeiras quatro semanas, em frequências de 0,8 a 3 gigahertz, dentro de um programa independente liderado por Gabriele Bruni. A equipe do JAGWAR reanalisou esses dados com o pacote oxkat, desenvolvido especificamente para processar observações do MeerKAT, de modo a colocar tudo na mesma escala e com os mesmos critérios.

Logo ficou claro que o maior adversário da busca não era o ruído dos receptores, e sim a galáxia hospedeira. SDSS J155154.16+305409.3 forma estrelas, e galáxias assim brilham em rádio por conta própria, graças aos elétrons acelerados por gerações de restos de supernova espalhados pelo disco. O MeerKAT enxergou no local uma fonte alongada, com 9 segundos de arco por 2,9, inclinada em 16 graus, inteiramente dominada pela luz da galáxia. Em 0,8 e 1,3 gigahertz, esse brilho difuso chega a 208 e 114 microjanskys, e em 3 gigahertz ainda soma dezenas de microjanskys, o bastante para afogar qualquer sinal fraco de uma supernova. Era como tentar ouvir um sussurro numa sala tomada por um zumbido grave e constante.

Imagens do VLA em 3 GHz (configuração B) nos dias 42, 74, 97 e 154 após o alerta. O círculo marca o feixe sintetizado, d
Imagens do VLA em 3 GHz (configuração B) nos dias 42, 74, 97 e 154 após o alerta. O círculo marca o feixe sintetizado, de 2,1 segundos de arco, centrado na posição da supernova medida pelo Hubble; a cruz indica o centro da galáxia hospedeira SDSS J155154.16+305409.3. Em todas as épocas o brilho é dominado pela galáxia; no dia 74 há um indício de brilho extra que pode vir da supernova.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

A saída foi subir de tom. O espectro de rádio de uma galáxia formadora de estrelas cai de forma acentuada com a frequência, seguindo uma lei de potência com índice de aproximadamente menos 0,79, de modo que o zumbido que domina em 3 gigahertz quase desaparece em 10. Usando o limite de 10 microjanskys medido em 3 gigahertz na configuração mais nítida do VLA, 230 dias após o alerta, os autores estimaram que a contribuição da hospedeira na banda de 10 gigahertz não passa de 3,9 microjanskys. Nessa faixa, com a configuração B produzindo um feixe sintetizado de apenas 0,6 segundo de arco, a galáxia se dilui e a posição exata da supernova, fixada pelo Telescópio Espacial Hubble, pode ser isolada do resto.

Convém dimensionar os números envolvidos. Um jansky, unidade batizada em homenagem a Karl Jansky, o engenheiro que descobriu por acidente as ondas de rádio da Via Láctea no início dos anos 1930, equivale a 10 elevado a menos 26 watts por metro quadrado por hertz. Um microjansky é um milionésimo disso. Há uma comparação clássica entre radioastrônomos segundo a qual toda a energia já coletada por todos os radiotelescópios da história, somada, é menor do que a de um floco de neve ao tocar o chão. As imagens do VLA em 10 gigahertz alcançaram um ruído de 1,5 a 2,7 microjanskys. Detectar algo nesse patamar significa medir uma potência tão ínfima que o conceito de fraqueza perde o sentido cotidiano.

Foi nesse regime que a contraparte apareceu. Nas imagens em banda X, em torno de 10 gigahertz, um ponto de emissão surgiu na posição da supernova no dia 51 após o alerta, com 12,2 microjanskys e incerteza de 2,7, cerca de quatro vezes e meia acima do ruído. Ele persistiu nos dias 65 e 96, com 8,4 e 8,3 microjanskys, pouco acima de três vezes o ruído. Para reforçar a detecção, a equipe somou as três observações numa única imagem, e a fonte emergiu com 9,2 microjanskys sobre um ruído de 1,5, uma significância de seis desvios-padrão. Na banda C, perto de 6 gigahertz, a emissão alcançou 14,2 microjanskys no dia 89, com incerteza de 2,7, outra detecção acima de cinco sigmas.

A detecção: imagem combinada do VLA em 10 GHz entre os dias 51 e 96. A fonte de 9,2 microjanskys aparece a seis desvios-
A detecção: imagem combinada do VLA em 10 GHz entre os dias 51 e 96. A fonte de 9,2 microjanskys aparece a seis desvios-padrão do ruído, dentro do círculo de 0,6 segundo de arco centrado na posição da supernova; a cruz é o centro da galáxia hospedeira e a elipse preta no canto é o feixe do interferômetro.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

Uma fonte fraca numa imagem de rádio precisa provar que está no lugar certo, e esta provou. A posição do pico, em ascensão reta de 15 horas 51 minutos 54,180 segundos e declinação de mais 30 graus 54 minutos 08,45 segundos, dista apenas 0,18 segundo de arco das coordenadas da supernova medidas pelo Hubble, com incertezas de cerca de um décimo de segundo de arco em cada uma das medidas. O ajuste de uma fonte pontual à imagem combinada, feito com a ferramenta imfit do pacote CASA, devolveu fluxo integrado de 8,5 microjanskys e pico de 9,9, ambos coerentes com uma fonte não resolvida exatamente sobre a estrela que explodiu. Não há outra fonte conhecida ali que pudesse se passar por ela.

Todas as épocas em 10 GHz: dias 5,1, 12, 51, 65, 96 e 152. A contraparte emerge no dia 51, a cerca de 4,5 sigmas, perman
Todas as épocas em 10 GHz: dias 5,1, 12, 51, 65, 96 e 152. A contraparte emerge no dia 51, a cerca de 4,5 sigmas, permanece visível no nível de 3 sigmas até o dia 96 e some no dia 152. As cores cobrem de −5 a +5 vezes o ruído de cada imagem.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

Mais importante do que aparecer foi desaparecer. Ao combinar as imagens em 10 gigahertz obtidas entre os dias 5 e 12, antes da detecção, os pesquisadores não encontraram nada acima de três sigmas, embora uma fonte de 9 microjanskys fosse detectável ali com 95% de probabilidade. O mesmo ocorreu nas imagens combinadas dos dias 152 a 210 e 210 a 253, com ruído de 1,9 microjansky e limites superiores de 5,7. A chance de que uma fonte constante de 9 microjanskys tenha passado despercebida nas três imagens profundas é de cerca de 0,0125%, algo como uma em oito mil, assumindo ruído gaussiano. O sinal acendeu, brilhou por algumas semanas e se apagou. É, por definição, um transiente.

Antes, durante e depois: imagens combinadas do VLA em 10 GHz nos dias 5 a 12 (acima), 51 a 96 (centro) e 152 a 210 (abai
Antes, durante e depois: imagens combinadas do VLA em 10 GHz nos dias 5 a 12 (acima), 51 a 96 (centro) e 152 a 210 (abaixo). Nada aparece antes, a fonte brilha no centro e desaparece depois, a assinatura de um transiente. O círculo tem o tamanho do feixe: 0,6 segundo de arco nos dois painéis superiores e 0,2 no inferior.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

Houve, ainda, dois indícios ambíguos. No dia 12, em 10 gigahertz, a imagem mostrou 8,5 microjanskys com incerteza de 2,7 na posição da supernova, valor que os autores classificam como possível flutuação de ruído ou possível luz do próprio transiente, sem como decidir. E em 3 gigahertz, onde a galáxia domina, o fluxo do dia 74 subiu para 30,7 microjanskys, contra valores de 22 a 27 nas demais épocas, uma sugestão de brilho adicional que a contaminação da hospedeira impede de confirmar estatisticamente. Em 15 gigahertz, nos dias 13 e 19, nada foi visto acima de cerca de 7 microjanskys. Tudo somado, a curva de luz de rádio sobe devagar, atinge o máximo entre 50 e 100 dias e cai em seguida.

Tabela 1 do artigo: todas as observações de rádio do campo de SN 2025ulz com o MeerKAT, o uGMRT e o VLA, com a época em
Tabela 1 do artigo: todas as observações de rádio do campo de SN 2025ulz com o MeerKAT, o uGMRT e o VLA, com a época em dias desde o alerta, a frequência, o fluxo máximo ou limite superior, o ruído, o feixe sintetizado, o deslocamento em relação à posição do Hubble e a origem provável da emissão (H para a galáxia hospedeira, AT para a supernova, N para ruído).Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

Convertida em luminosidade, à distância da galáxia hospedeira, a emissão detectada equivale a cerca de 2 vezes 10 elevado a 27 ergs por segundo por hertz. Na comparação que os autores traçam, isso é aproximadamente dez vezes mais luminoso do que o pós-brilho de rádio de GW170817 em seu máximo, e situa SN 2025ulz confortavelmente entre as supernovas do tipo IIb já observadas em rádio, abaixo de eventos luminosos como SN 2003bg e SN 2001ig e na vizinhança de SN 2013df, SN 2011dh e da própria SN 1993J. Nada na amplitude do sinal grita anomalia. A questão é o que o produz, e aqui o artigo abre duas portas e se recusa, com honestidade, a fechar qualquer uma delas.

Curvas de luz de rádio de SN 2025ulz (símbolos cinza e preto) comparadas com as de supernovas do tipo IIb já observadas,
Curvas de luz de rádio de SN 2025ulz (símbolos cinza e preto) comparadas com as de supernovas do tipo IIb já observadas, em 1,25, 3, 6 e 10 GHz. Pontos cheios são detecções acima de 5 sigmas, círculos vazios estão entre 3 e 5 sigmas e triângulos invertidos são limites superiores ou medidas dominadas pela galáxia. SN 2025ulz cai no meio da distribuição da classe.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

A primeira porta é a mais convencional. Antes de morrer, uma estrela massiva despida de hidrogênio sopra um vento que a envolve numa nuvem de gás em expansão lenta, com velocidades de 10 a 10.000 quilômetros por segundo. Quando a explosão lança os destroços a velocidades de 10.000 a 50.000 quilômetros por segundo, essa matéria rápida colide com o vento antigo e produz um par de ondas de choque: uma avança para fora, varrendo o material circunstelar, e outra recua para dentro dos próprios destroços. É a versão cósmica do estrondo supersônico de um avião, só que sustentada por meses e em escala de dezenas de bilhões de quilômetros. Nos choques, uma fração da energia cinética vira calor e outra fração acelera elétrons a velocidades relativísticas.

Esses elétrons, forçados a espiralar em torno das linhas do campo magnético amplificado no choque, emitem radiação síncrotron, a mesma física que faz brilhar os anéis de aceleradores de partículas na Terra, agora em comprimentos de onda de rádio. Em supernovas de envelope despido, a emissão em cada frequência fica inicialmente aprisionada pela própria nuvem de elétrons, num efeito chamado autoabsorção síncrotron, e só escapa quando a casca chocada se expande o suficiente para se tornar transparente. O instante em que isso acontece e a luminosidade naquele momento guardam, codificados, o raio do choque, portanto sua velocidade, e a densidade do gás ao redor, portanto a taxa com que a estrela perdia massa em seus últimos séculos de vida.

Roger Chevalier formalizou essa leitura em 1998 no diagrama que leva seu nome, com a luminosidade de pico no eixo vertical e o tempo de pico no horizontal, cortado por linhas de velocidade de choque e de taxa de perda de massa constantes. Colocando a detecção em 10 gigahertz nesse diagrama, e assumindo um vento de 500 quilômetros por segundo e frações de energia de 10% tanto em elétrons quanto em campo magnético, os autores obtiveram destroços expandindo-se a cerca de 15.000 quilômetros por segundo, 5% da velocidade da luz, dentro de um casulo criado por uma estrela que perdia da ordem de 10 elevado a menos 4 massas solares por ano, o equivalente a cerca de 33 Terras lançadas ao espaço anualmente.

Diagrama de Chevalier: luminosidade de pico em rádio contra tempo de pico, escalado pela frequência. O ponto cinza é a d
Diagrama de Chevalier: luminosidade de pico em rádio contra tempo de pico, escalado pela frequência. O ponto cinza é a detecção de SN 2025ulz em 10 GHz; as linhas tracejadas indicam velocidades de choque constantes e as pontilhadas, taxas de perda de massa. A supernova cai perto da linha de 10.000 km/s, na fronteira entre as IIb compactas (círculos vermelhos) e as estendidas.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

Esses valores colocam SN 2025ulz exatamente na linha divisória entre as duas subclasses de supernovas IIb. As compactas, chamadas cIIb, parecem-se com as supernovas Ib e Ic, evoluem depressa, interagem fracamente com o meio circunstelar e vêm de estrelas Wolf-Rayet ou de binárias despidas; as estendidas, eIIb, nascem de supergigantes inchadas. Mais revelador ainda é o acordo com a espectroscopia óptica: a absorção deslocada para o azul na linha H-alfa, o chamado perfil P Cygni, que mede a velocidade do gás vindo em nossa direção, havia indicado 17.000 quilômetros por segundo. Duas técnicas independentes, uma lendo fótons de rádio e outra lendo luz visível, chegaram ao mesmo número. Para os autores, essa consistência é o argumento mais forte em favor da interação com o meio circunstelar.

Os próprios pesquisadores listam as ressalvas. A detecção do dia 51 pode não marcar o verdadeiro pico: se o máximo ocorreu antes e com mais brilho, o diagrama de Chevalier superestima o tempo e subestima a luminosidade, e a velocidade real dos destroços seria maior do que a estimada. Subtrair a contribuição máxima da galáxia, de 3,9 microjanskys, reduz a velocidade inferida para algo acima de 13.500 quilômetros por segundo, contra 16.000 sem a subtração, sem alterar a conclusão. E, ignorando a autoabsorção, a extrapolação da detecção em 10 gigahertz prevê de 12 a 15 microjanskys em 6 gigahertz e de 17 a 30 em 3 gigahertz por volta do dia 70, faixas compatíveis com as medidas, dentro das incertezas e da contaminação da hospedeira.

Imagens em 6 GHz nos dias 3,2, 4,8, 15, 89, 153 e 211. A detecção mais firme nessa banda ocorre no dia 89, a cerca de 5
Imagens em 6 GHz nos dias 3,2, 4,8, 15, 89, 153 e 211. A detecção mais firme nessa banda ocorre no dia 89, a cerca de 5 sigmas; nas épocas iniciais o campo é dominado pela emissão difusa da galáxia e, no dia 211, já na configuração A, mais nítida, a fonte não aparece mais.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

A segunda porta leva a um lugar bem mais exótico. Se o progenitor girava depressa o bastante para gerar estrelas de nêutrons leves, poderia também ter lançado um jato relativístico semelhante ao de uma explosão de raios gama, só que apontado para longe da Terra. A emissão de um jato assim é concentrada para a frente pelo efeito relativístico de colimação, como o facho de um farol. Enquanto o jato se move quase à velocidade da luz, quem está fora do facho não vê nada. À medida que ele varre o meio interestelar e desacelera, o cone de emissão se alarga, e observadores a dezenas de graus do eixo passam a receber a luz, semanas ou meses depois, com um pico tardio que lembra o que o VLA mediu.

Para testar essa hipótese, a equipe usou o código PyBlastAfterglowMag, desenvolvido por Vsevolod Nedora e colaboradores, que simula a emissão de ondas de choque relativísticas. O melhor ajuste aos dados descreve um jato com perfil gaussiano, energia isotrópica equivalente ao longo do eixo de 5,1 vezes 10 elevado a 53 ergs, núcleo de 4,01 graus de abertura, visto de um ângulo de 25,2 graus e avançando por um meio interestelar de densidade constante, com 3,1 partículas por centímetro cúbico. O índice da distribuição de energia dos elétrons foi fixado em 2,133, e as frações de energia em elétrons e campo magnético, em 1% e 0,1%. Com esses parâmetros, as curvas-modelo passam pelas detecções em 6 e 10 gigahertz e respeitam todos os limites superiores.

Observações de rádio de SN 2025ulz confrontadas com modelos de pós-brilho de um jato fora do eixo calculados com o PyBla
Observações de rádio de SN 2025ulz confrontadas com modelos de pós-brilho de um jato fora do eixo calculados com o PyBlastAfterglowMag (curvas sólidas, em 1, 3, 6, 10 e 15 GHz). As estrelas magenta formam a curva de luz em 3 GHz do pós-brilho de GW170817, para comparação; as curvas azuis pontilhadas são modelos anteriores de O’Connor et al. (2025) ainda não excluídos.Crédito: O’Dwyer et al. 2026, The Astrophysical Journal Letters 1009, L44 · CC BY 4.0

É preciso traduzir o tamanho dessa energia. O Sol irradiará, ao longo de seus dez bilhões de anos de vida na sequência principal, cerca de 1,2 vez 10 elevado a 51 ergs. O jato hipotético de SN 2025ulz carregaria, em equivalente isotrópico, cerca de 400 vezes isso, liberados em segundos. É um valor compatível com as explosões de raios gama longas, associadas ao colapso de estrelas massivas em rotação acelerada, e muito acima das energias cinéticas típicas das explosões curtas que acompanham fusões de estrelas de nêutrons. Em outras palavras, se há um jato ali, ele se parece mais com o de um colapsar do que com o de GW170817, o que é justamente o que o cenário da superquilonova pediria.

Os autores insistem que esses números são indicativos, não medidas. A energia do jato é degenerada com a densidade do meio: mais energia num gás mais rarefeito produz o mesmo brilho que menos energia num gás mais denso. O índice da distribuição de elétrons pode variar entre 2 e 3. Subtrair a contribuição máxima da galáxia reduz a energia para cerca de 4,3 vezes 10 elevado a 53 ergs e a densidade para 2,5 partículas por centímetro cúbico. E, se a emissão ambígua do dia 12 for considerada luz real da contraparte, um jato com 5,7 vezes 10 elevado a 53 ergs, núcleo de 8,3 graus, visto a 20,3 graus, num meio de apenas 0,055 partícula por centímetro cúbico, também reproduz as observações. O conjunto de dados não consegue escolher.

É aqui que o artigo publicado em 28 de setembro de 2026 no Astrophysical Journal Letters se distingue pela cautela. A fraqueza do sinal e a contaminação da galáxia impedem uma interpretação única, escrevem os pesquisadores, e tanto a interação com o meio circunstelar quanto o jato fora do eixo (off-axis, apontado para longe da linha de visada) permanecem viáveis. A interação é a explicação mais natural, dada a classificação da supernova e a coincidência entre as velocidades medidas no óptico e no rádio. Mas o jato não pode ser excluído, e essa impossibilidade não é fracasso: é a medida honesta do que nove microjanskys de luz, vindos de mais de um bilhão de anos-luz, permitem afirmar.

O que o resultado estabelece com segurança é menos espetacular e mais duradouro. Ao que se sabe, pela primeira vez uma supernova de colapso de núcleo coincidente com um candidato gravitacional envolvendo estrelas de nêutrons de massa subsolar foi acompanhada em rádio com profundidade suficiente para revelar sua contraparte e traçar sua curva de luz do nascimento ao desaparecimento. Isso prova que a janela existe e que a sensibilidade, a resolução angular e a cobertura em frequência do VLA bastam para abri-la. Os autores defendem que, se a associação entre S250818k e SN 2025ulz sobreviver às análises offline dos dados gravitacionais, cada supernova de colapso encontrada no mapa de um alerta semelhante deve receber o mesmo tratamento sistemático, em todos os comprimentos de onda.

O pano de fundo torna esse apelo mais urgente. O quinto catálogo de transientes gravitacionais, o GWTC-5, reúne hoje 390 coalescências de binárias compactas com probabilidade igual ou superior a 50% de origem astrofísica, a maioria esmagadora de buracos negros. As taxas locais de fusão foram revisadas para baixo: entre 5,1 e 154,7 eventos por gigaparsec cúbico por ano para pares de estrelas de nêutrons, contra 10 a 1.700 no catálogo anterior, e entre 6,7 e 32,8 para pares de estrela de nêutrons e buraco negro, contra 7,8 a 140. Em termos práticos, dentro da esfera de 259 megaparsecs de raio em que S250818k foi localizada, espera-se algo entre uma fusão de estrelas de nêutrons a cada três anos e onze por ano. Cada candidato é raro demais para ser desperdiçado.

A história recente explica a ansiedade. GW170817, em 17 de agosto de 2017, durante o segundo ciclo de observações, continua sendo a única fusão de estrelas de nêutrons com contraparte luminosa confirmada, a quilonova na galáxia NGC 4993, a apenas 40 megaparsecs. O terceiro ciclo trouxe GW190425, uma fusão de estrelas de nêutrons com massa total bem superior à de qualquer sistema conhecido na Via Láctea, e os primeiros candidatos a fusão entre estrela de nêutrons e buraco negro, mas nenhuma contraparte eletromagnética definitiva. O quarto ciclo, encerrado no fim de 2025, repetiu o jejum. É nesse deserto de quase uma década que SN 2025ulz aparece como, nas palavras dos autores, um dos candidatos mais convincentes de todo o O4 a uma associação entre ondas gravitacionais e luz.

Resta o elefante na sala: S250818k pode não ser real. Com 70% de probabilidade de origem terrestre e uma taxa de alarmes falsos de 2,1 por ano, o alerta está longe do padrão de ouro das detecções confirmadas. A palavra final pertence às análises offline da colaboração LIGO-Virgo-KAGRA, que revisitam os dados com calibração refinada, algoritmos de busca mais sensíveis e estatísticas acumuladas de todo o ciclo, um processo que leva meses e que já reclassificou candidatos no passado, para cima e para baixo. Se o sinal for rebaixado a ruído, SN 2025ulz volta a ser o que os espectros dizem que ela é: uma supernova IIb bem observada, com uma curva de luz de rádio que enriquece a amostra da classe.

Se, ao contrário, a associação for confirmada, as consequências se espalham por várias áreas da física. Uma estrela de nêutrons mais leve que o Sol, nascida da fissão de um núcleo em colapso ou da fragmentação de um disco, mudaria o que sabemos sobre a função de massa desses objetos e ofereceria um laboratório inédito para a equação de estado da matéria nuclear em densidades extremas, já que a estabilidade de corpos tão leves depende de detalhes da física de nêutrons que nenhum experimento terrestre alcança. Ao mesmo tempo, a existência de fusões escondidas dentro de supernovas abriria uma nova classe de fontes para os detectores, com assinaturas gravitacionais e luminosas entrelaçadas de um modo que ninguém observou até hoje.

O teste decisivo, segundo os autores, está no comportamento dos destroços. Se a rotação rápida é mesmo o motor que fabrica estrelas de nêutrons leves, ela deveria deixar marcas: ou um jato relativístico que emerge no rádio como um pós-brilho tardio, ou destroços sistematicamente mais velozes do que os de uma supernova IIb comum. Em SN 2025ulz, os 15.000 a 17.000 quilômetros por segundo medidos são típicos da classe, o que, por si só, não favorece o cenário exótico. Mas as incertezas teóricas sobre o que uma superquilonova produziria são tão grandes, reconhece o artigo, que ainda não existe uma linha nítida separando uma supernova IIb que abriga uma fusão de uma que explodiu sozinha. Serão necessários mais eventos para desenhá-la.

Os instrumentos para isso estão a caminho. O MeerKAT será incorporado ao SKA-Mid, a rede de antenas do Square Kilometre Array em construção na África do Sul, e o ngVLA, proposto pelo Observatório Nacional de Radioastronomia dos Estados Unidos como sucessor do VLA, promete sensibilidade dez vezes maior. Com esses conjuntos, uma fonte de 9 microjanskys deixaria de ser um ponto no limite do ruído para virar uma curva de luz detalhada, com espectro resolvido em dezenas de frequências ao longo de meses. A próxima SN 2025ulz não seria apenas detectada; seria dissecada. E o quinto ciclo de observações dos detectores gravitacionais, previsto para o fim desta década, deve oferecer o lado gravitacional dessa equação com alcance também ampliado.

Importa registrar como esse resultado foi obtido, porque o método é parte da mensagem. Cada imagem do VLA passou pelo pipeline de calibração e imageamento do pacote CASA, com limpeza automática até o nível de quatro sigmas e ponderação de Briggs com parâmetro 0,5, e depois foi inspecionada manualmente em busca de interferência de rádio, com reprocessamento sempre que necessário. O fluxo em cada época foi medido como o pico dentro de um círculo do tamanho do feixe centrado na posição do Hubble, e o ruído, numa região dez vezes maior. Em todos os casos, o imageamento manual reproduziu o automático dentro dos erros. É um trabalho de paciência que raramente ganha manchetes, mas sem o qual nove microjanskys não valeriam nada.

Quinze autores assinam o trabalho, espalhados por Estados Unidos, Índia, Canadá, África do Sul, Itália, Holanda e Austrália. Tanner O’Dwyer e Alessandra Corsi, da Johns Hopkins, lideram a análise; Deepika Yadav e Kunal Mooley, do Instituto Indiano de Tecnologia de Kanpur, trazem a experiência do uGMRT; Gregg Hallinan e Mansi Kasliwal, do Caltech, ligam o estudo ao Zwicky Transient Facility e à herança de GW170817; Davide Lazzati, da Universidade Estadual do Oregon, é o teórico que em 2018 previu como a emissão do jato estruturado de GW170817 se comportaria. Completam a lista pesquisadores do Observatório Nacional de Radioastronomia, da Universidade da Virgínia, da McGill, da Rhodes University e do Observatório Sul-Africano de Radioastronomia, do INAF, do ASTRON, da Swinburne, da Radboud e da Rice.

Há uma dimensão quase literária nessa história. Um tremor que talvez nunca tenha acontecido guiou telescópios em quatro continentes até uma estrela que, independentemente de tudo, estava mesmo morrendo. Em busca de uma quilonova, os astrônomos encontraram uma supernova; em busca de um jato, encontraram um sinal que pode ser um jato ou pode ser o vento de uma estrela velha sendo atropelado por seus próprios destroços. Nenhuma das respostas é definitiva, e todas são preciosas, porque cada uma foi arrancada do limite do que a tecnologia permite. A astronomia multimensageira nasceu em 2017 com um evento perfeito. Está aprendendo agora a lidar com os imperfeitos, que serão a imensa maioria.

Entre um sussurro de rádio de nove microjanskys e um tremor no espaço-tempo que talvez não tenha existido, há uma galáxia a mais de um bilhão de anos-luz onde uma estrela massiva morreu em agosto de 2025. Sabemos como ela viveu, porque seu vento ficou registrado no rádio. Sabemos como morreu, porque seus espectros contaram. O que ainda não sabemos é se, no instante final, no coração daquele colapso, duas estrelas de nêutrons leves demais para existir giraram uma em torno da outra e se tornaram uma só, enviando ao universo uma mensagem que os detectores apenas entreouviram. A resposta está guardada nos dados do LIGO e do Virgo, à espera de uma análise mais paciente. Até lá, SN 2025ulz permanece o que é: uma estrela que pode não ter morrido sozinha.

FonteO’Dwyer, T., Corsi, A., Yadav, D., Mooley, K. P., Baer-Way, R., Chandra, P., Hallinan, G., Kasliwal, M. M., Rhodes, L., Smirnov, O. M., Lazzati, D., van Leeuwen, J., Deller, A., Atri, P. & Khanam, T. (2026). Identification of a Radio Counterpart to SN 2025ulz in the S250818k Localization Area. The Astrophysical Journal Letters, 1009, L44 (publicado em 28 de setembro de 2026). DOI: 10.3847/2041-8213/aea4a5. Artigo de acesso aberto sob licença Creative Commons Attribution 4.0; figuras reproduzidas com atribuição aos autores.