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Um sinal registrado em Marte há 50 anos voltou a intrigar os cientistas. A Viking 2 pode ter detectado um tremor marciano muito antes da missão InSight, mas as limitações do equipamento e a dificuldade de interpretar os dados deixaram essa história em aberto. Agora, uma nova análise recupera os registros e investiga o que aquele sinal pode revelar sobre o interior do Planeta Vermelho.
Neste vídeo, você vai entender por que os dados da Viking 2 ganharam uma nova importância. Durante 560 dias marcianos de operação, seu sismômetro registrou apenas dois eventos candidatos a sismos, nos sols 53 e 80. Esse resultado ajudou a construir a imagem de um planeta pouco ativo. Décadas depois, a InSight mostrou que Marte apresenta uma atividade sísmica que os instrumentos da década de 1970 tinham dificuldade para registrar.
O problema estava na maneira de captar e transmitir as vibrações. Para economizar a limitada capacidade de comunicação entre Marte e a Terra, a Viking 2 comprimia os sinais antes de enviá-los. Além disso, seu sismômetro tinha maior sensibilidade em torno de 3 hertz, enquanto muitos tremores tectônicos estudados pela InSight concentram sua energia abaixo de 1 hertz. Parte importante da atividade marciana podia ficar abaixo do limite de detecção.
O foco da investigação é o evento do sol 80. Registrado por volta das três da manhã, em um horário normalmente associado a ventos mais fracos, ele apresentou uma amplitude acima do ruído noturno. Isso faz dele um candidato especialmente interessante, embora sua origem ainda não esteja confirmada.
Uma possibilidade é que o sinal tenha vindo das planícies do norte de Marte, em uma região ampla também associada a tremores sazonais observados pela InSight. A ocorrência durante o verão local reforça a hipótese de uma relação com processos influenciados pelo clima ou por materiais voláteis. Se essa interpretação estiver correta, os registros das duas missões podem revelar uma região com atividade sísmica em épocas separadas por quase meio século.
Outra hipótese é a de um tremor tectônico distante. Nesse cenário, a identificação das primeiras ondas precisa ser reinterpretada, e as estimativas de magnitude ficam entre 4,6 e 4,8, podendo chegar a 4,9–5,1 conforme as hipóteses sobre os componentes registrados e o movimento do módulo. Esses números dependem do modelo adotado: não representam uma magnitude confirmada. Um impacto de meteoroide também permanece entre as explicações possíveis.
Existe ainda uma diferença importante na duração do sinal. O evento do sol 80 perdeu intensidade cerca de vinte vezes mais rapidamente do que os tremores típicos usados na comparação com a InSight. Isso pode indicar diferenças na propagação e na perda de energia das ondas no subsolo de Utopia Planitia. A observação abre novas perguntas sobre o interior de Marte, mas não comprova a presença de água.
Vamos explorar como os cientistas reconstruíram o funcionamento de um instrumento dos anos 1970, o que a InSight trouxe para essa investigação e por que dados antigos ainda podem produzir conhecimento novo. A história da sismologia de Marte continua sendo escrita também com sinais que chegaram à Terra há cinco décadas.
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Referência: Xiao, W., Li, J., Wang, Y. e Lazarewicz, A. (2026). Fifty Years Later: Revisiting Viking 2 Seismic Signals Through InSight. AGU Advances, 7, e2026AV002319. [https://doi.org/10.1029/2026AV002319](https://doi.org/10.1029/2026AV002319).



