ADQUIRA JÁ O SEU EBOOK SOBRE O NOVO TELESCÓPIO DA NASA, O NANCY GRACE ROMAN POR APENAS R$29,90!!! SÃO 400 PÁGINAS COM TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ESSE MARAVAILHOSO TELESCÓPIO QUE IRÁ REVOLUCIONAR O NOSSO ENTENDIMENTO DO UNIVERSO!!!

http://lp.academyspace.com.br/roman?utm_source=instagram&utm_medium=bio&utm_campaign=ebook_roman_pos_eclipse_ago2026&utm_content=bio_principal&utm_term=ebook_2990

Na borda interna da cratera Jezero, em Marte, existe uma faixa estreita de rocha que, vista da órbita, parecia desenhar a margem de um lago antigo. Os satélites captavam ali uma assinatura forte de carbonato, mineral que costuma se formar na presença de água rica em gás carbônico. Isso transformou a chamada unidade Margin num dos alvos prioritários do rover Perseverance, da NASA, que pousou na cratera em fevereiro de 2021. Neste vídeo, apresentamos o estudo publicado em 2026 na revista Communications Earth & Environment, liderado pela geóloga planetária Candice Bedford, da Universidade Purdue, que finalmente leu essa rocha de perto.

Com o instrumento SuperCam, que dispara um laser de 1.064 nanômetros contra rochas a até 6,5 metros e analisa a luz do plasma produzido, a equipe estudou mais de 185 alvos de rocha em quatro localidades: as Margins Leste, Oeste, Norte e Alta. Um algoritmo de aprendizado de máquina não supervisionado separou os dados em oito grupos químicos, entre eles olivina, carbonato de ferro e magnésio, sílica, sulfato de cálcio e fluorita. Cruzando essa química com a textura dos grãos, medidos um a um em imagens de altíssima resolução, os pesquisadores reconstruíram a história da unidade.

Nas partes mais altas, a Margin é uma rocha ígnea cristalina, rica em olivina, que esfriou lentamente numa câmara de magma, praticamente sem contato com a água, parecida com a formação Séitah, no fundo da cratera. O radar RIMFAX revelou camadas espessas inclinadas em direção à bacia, compatíveis com uma intrusão estratificada. Abaixo do segundo terraço do antigo lago de Jezero, a rocha conta outra história. Há sinais de retrabalho pelas ondas perto do leque ocidental e depósitos de fluxo de detritos em Pearce Canyon, na borda de Neretva Vallis, com teores de ferro de até 82% em peso.

O estudo identifica pelo menos três episódios de alteração pela água. No primeiro, fluidos neutros a alcalinos e ricos em gás carbônico preencheram fraturas com carbonato, que a erosão mais tarde deixou em relevo na forma de cristas. No segundo, águas mais frias e menos alcalinas, vindas do próprio lago ou de águas subterrâneas em evolução, dissolveram parte desse carbonato e depositaram sílica nos poros. No terceiro, fluidos hidrotermais, provavelmente aquecidos por atividade vulcânica ligada à região de Syrtis Major, formaram um veio de cerca de 25 centímetros com sulfato de cálcio e fluorita, chamado Point Cloates.

Essa sucessão de encontros com a água faz da unidade Margin um dos lugares mais promissores de Marte na busca por sinais de vida antiga. As amostras Pelican Point, Lefroy Bay e Comet Geyser, coletadas ali pelo Perseverance, aguardam uma possível missão de retorno à Terra, onde poderão ser analisadas com uma precisão que nenhum instrumento remoto alcança. Assista até o fim para entender como uma única rocha pode guardar o registro de três águas diferentes e o que isso significa para a exploração do planeta vermelho.

Referência: Bedford, C. C. et al. (2026). Communications Earth & Environment, 7, 728. doi.org/10.1038/s43247-026-03997-9