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Sonda Rosetta Mostra Como o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko Está Se Modificando Ao Chegar Mais Próximo do Sol

Space Today
22 jan 2015

rosetta20150122-16

observatory_150105Tem aumentado de forma significante a quantidade de água que está sendo expelida do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, o cometa que tem uma sonda em sua órbita, a Rosetta, e uma sonda em sua superfície, o Philae, desde Novembro de 2014.

O cometa com 4 quilômetros de largura, estava lançando o equivalente a 1.2 litros de água no espaço a cada segundo no final de Agosto de 2014. As observações foram feitas pelo instrumento da NASA, conhecido como Microwave Instrument for Rosetta Orbiter (MIRO) a borda da sonda Rosetta da ESA. Os resultados científicos da equipe do MIRO foram lançados hoje como parte da edição especial sobre a missão Rosetta da revista Science.

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“Em observações feitas num período de três meses, de Junho a Agosto de 2014, a quantidade de água em vapor que o cometa estava lançando no espaço aumentou de um fator de dez”, disse Sam Gulkis, principal pesquisador do instrumento MIRO no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia, e principal autor do artigo que aparece na edição especial. “Termos estado perto do cometa por um período longo de tempo tem nos dado uma oportunidade única de ver como os cometas se transformam de corpos frios e congelados para objetos ativos expelindo gás e poeira à medida que eles chegam mais perto do Sol”.

O instrumento MIRO é um pequeno e leve espectrômetro que pode mapear a abundância, a temperatura e a velocidade do vapor de água cometário e outras moléculas que o núcleo lança. Ele pode também medir a temperatura numa região a dois centímetros abaixo da superfície do núcleo do cometa. Uma razão de medir a temperatura na subsuperfície é que os gases observados provavelmente têm origem da sublimação de gelo que ocorre abaixo da superfície. Combinando essa informação com o gás, o MIRO será capaz de estudar esse processo em detalhe.

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Além disso, no artigo lançado hoje (22 de Janeiro de 2015), a equipe do MIRO relata que o 67P expele mais gás de certos locais e em certos momentos do seu dia. O núcleo do 67P consiste de dois lobos de diferentes tamanhos (normalmente referidos como o corpo e a cabeça devido ao fato do cometa se parecer com um pato), conectados por uma região chamada de pescoço. Uma substancial porção do gás expelido que foi medido de Junho a Setembro de 2014, veio da região do pescoço e durante a tarde.

“Essa situação pode estar mudando agora que o cometa está ficando mais quente”, disse Gulkis. “Observações do MIRO precisam ser cuidadosamente analisadas para determinar que fatores além do calor do Sol são os responsáveis pela emissão de gás cometário”.

As observações são contínuas para se poder pesquisar sobre a variabilidade na taxa de produção e nas mudanças nas partes do núcleo que estão lançando gás à medida que a distância do cometa ao Sol também se altera. Essa informação ajudará os cientistas a entenderem como os cometas se desenvolvem à medida que eles orbitam e se movem em direção ao Sol e para longe dele. A taxa de produção de gás é também importante para a equipe de navegação da Rosetta controlar a sonda, já que o fluxo de gás pode alterar a trajetória da sonda.

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Em outro artigo sobre o 67P lançado hoje, foi revelado que a atmosfera do cometa, ou coma, é muito menos homogênea do que se esperava e que o fluxo de gás varia consideravelmente com o tempo.

“Se nós estivéssemos apenas visto um aumento constante dos gases já que estamos perto do cometa, não haveria dúvida sobre a heterogeneidade do núcleo”, disse Myrtha Hässig, uma cientista patrocinada pela NASA do Southwest Research Intitute em San Antonio. “Ao invés disso, nós observamos picos nas leituras de água, e poucas horas depois, um pico nas leituras de dióxido de carbono. Essa variação poderia ser um efeito da temperatura, ou um efeito sazonal, ou poderia apontar para a possibilidade das migrações realizadas pelo cometa no início do Sistema Solar”.

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As medidas na coma, foram feitas pelo instrumento, Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis Double Focusing Mass Spectrometer (ROSINA DFMS). Medindo a composição da coma na posição da sonda, os dados do ROSINA indicam que o sinal de vapor de água é mais forte de maneira geral. Contudo, existem períodos quando a abundância de monóxido de carbono e de dióxido de carbono rivaliza com a quantidade de água.

“Analisados de forma integrado os resultados do MIRO e os resultados do ROSINA sugerem novos detalhes fascinantes para se aprender como os cometas trabalham”, disse Claudia Alexander, cientista de projeto da NASA para o time norte-americano da Rosetta, do JPL. “Esses resultados estão nos ajudando a movermos para um nível fundamental nosso entendimento sobre como os cometas operam”.

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A Rosetta está atualmente a cerca de 171 milhões de quilômetros da Terra e cerca de 148 milhões de quilômetros do Sol. Os cometas são verdadeiras cápsulas do tempo, contendo o material primitivo deixado para trás da época quando o Sol e os planetas se formaram. Estudando o gás, a poeira e a estrutura do núcleo do cometa  e o material orgânico associado com o cometa tanto remotamente tanto com observações próximas, a missão Rosetta deve se tornar chave para que se possa revelar a história e a evolução do nosso Sistema Solar, bem como responder perguntas sobre a origem da água na Terra e talvez até mesmo da vida. A Rosetta é a primeira missão na história a se aproximar de um cometa, escolta-lo durante a sua órbita ao redor do Sol, e enviar um módulo para sua superfície.

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A Rosetta é uma missão da ESA com contribuições dos estados membros, e da NASA. O módulo Philae da Rosetta é fornecido por um consórcio liderado pelo German Aerospace Center em Colônia, pelo Max Planck Institute for Solar System Research em Gottinger, pelo French National Space Agency, em Paris e pela Italian Space Agency, em Roma. O JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, gerencia a contribuição norte-americana da missão Rosetta para o Science Mission Directorate da NASA, em Washington. O JPL também construiu o MIRO e abriga seu principal pesquisador, Samuel Gulkis. O Southwest Research Institute (San Antonio e Boulder), desenvolveu os instrumentos  ALICE e IES da Rosetta, e abriga seus principais pesquisadores, James Burch (IES) e Alan Stern (ALICE).

Para mais informações sobre os instrumentos norte-americanos na Rosetta, visitem:

http://rosetta.jpl.nasa.gov

Para mais informações sobre a Rosetta, visitem:

http://www.esa.int/rosetta

Fonte:

http://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?feature=4456

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