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Cientistas questionam a detecção de ondas gravitacionais feitas pelo LIGO

Space Today
22 out 2016

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-Elis Lopes

Depois da primeira detecção de ondas gravitacionais pelo LIGO em fevereiro, cientistas ( Luciano Rezzolla da Universidade de Goethe Frankfurt, Alemanha e Cecilia Chirenti da Universidade Federal do ABC em Santo André, Brasil) estão realizando testes do sinal observado para saberem se o sinal pode ter como fonte um gravastar ou não.

Os buracos negros propostos primeiramente a 200 anos atrás por John Michell e Pierre Laplace como “estrelas negras” são termos muito usados, principalmente na ficção científica, mas pouco compreendidos. Já os gravastars foram propostos em 2001 por Pawel Mazur e Emil Mottola, e acho que pouca gente já ouviu falar deles. Basicamente, os gravastars são compostos por um núcleo de matéria exótica (esse tipo de matéria – a matéria exótica- é um modelo hipotético que viola as leis da física, como uma partícula de massa negativa) que impediria o colapso da matéria em torno do núcleo, que seria a matéria normal.  Quando uma estrela entrou no colapso final de sua vida, aconteceria uma fase em que  seria possível a formação dessa matéria exótica e isso aconteceria antes que um horizonte de eventos pudesse ser formado (no caso para estrelas bem mais massivas que o sol), sendo um objeto tão massivo quanto um buraco negro e com suas particularidades bem parecidas.  Também seria impossível observar um gravastar pois, assim como nos buracos negros, a luz seria desviada pelo campo gravitacional e nunca chegaria até nós. Mas os gravastars também seriam fontes de ondas gravitacionais quando perturbados, seria como “sinos” com sons diferentes, e como sinos, os sinais das ondas gravitacionais vão desaparecendo progressivamente.

Assim, a forma como os sinais das ondas gravitacionais vão desaparecendo são a impressão digital que diferencia um buraco negro de um gravastar. Após a modelagem do “som” esperado de um gravastar, percebeu-se que as características eram muito parecidas com o “som” de um  buraco negro, mas os pesquisadores concluíram que era muito difícil explicar as frequências observadas na GW150914 (a primeira detecção das ondas gravitacionais) como sendo de um gravastar.

Assim como duas chaves em um piano emitem notas diferentes, as "notas" medidas com GW150914 simplesmente não coincidem com aqueles que podem ser produzidos por gravastsars.

“Como um físico teórico estou sempre aberto a novas idéias, não importa quão exótica e, ao mesmo tempo, o progresso na física ocorre quando as teorias são confrontadas com experiências. Neste caso, a ideia de gravastars simplesmente não parece corresponder as observações. “, diz o professor Rezzolla.

 

 

Fonte: http://www.dailygalaxy.com/my_weblog/2016/10/-dark-energy-star-or-black-hole-scientists-question-source-of-ligo-detection-of-gravitational-waves.html

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